João Paulo Mariano
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A palavra de ordem é economizar. E, agora, não só dinheiro, mas água. É preciso fechar as torneiras, diminuir o tempo de banho e poupar cada vez mais. O intuito do governo é fazer com que a economia obtida até aqui faça parte da cultura do brasiliense, que não pode mais depender somente da água que vem do céu, e mudar o comportamento para que as futuras gerações não sofram desse mal.
Dados da Caesb revelam que, no reservatório do Descoberto, desde o início do racionamento foi economizado um percentual de 13,3% – cerca de 1.300 litros/segundo. O volume é suficiente para atender uma população de 500 mil habitantes. Já no sistema Santa Maria / Torto, a redução foi 12,4%, 260 l/s, o que ajudaria a levar o recurso para 224 mil pessoas.
“A economia é fundamental e deve ser mantida. Essa nova cultura de uso racional da água tem que vir para ficar. Eu diria que havia uma cultura de que a água era um bem infinito. As pessoas demoraram a acreditar que chegaria ao ponto que chegou”, explica o presidente da Caesb, Maurício Luduvice.
Para ele, a economia de água é fundamental e deve ser mantida. O presidente da companhia lembra que os reservatórios chegaram a pouco mais da metade do nível máximo, o que demonstra melhora, mas a mobilização não deve terminar.
Maurício Luduvice garante que o governo não vai relaxar e continuará trabalhando campanhas, atuando em escolas, treinando professores e investindo para aumentar a produção. “Os investimentos serão em duas pontes: aumento da produção e redução da perda”, afirma.
Níveis preocupantes
Desde a segunda metade do ano passado, o brasiliense não tem sossego quando o assunto é água. A equação envolveu uma média de chuvas bem abaixo do esperado, crescimento da população e falta de conscientização. O resultado foi a chegada do nível dos dois reservatórios que abastecem 82% do DF aos níveis mais baixos da história.
O Descoberto, que atende 65% da população, ficou em 19,30% no dia 19 de novembro, e o de Santa Maria/ Torto – responsável por 24% – a 40,33%. Até ontem, se encontravam em 55,3% e 53,3%, respectivamente.
Assim, não teve jeito. No dia 16 de janeiro deste ano, o racionamento começou para quem recebe água do Descoberto, e no dia 27 de fevereiro para Santa Maria. Ao ficar 24 horas sem água, o morador do capital conseguiu economizar.
De acordo com a Caesb, os número só foram atingidos porque houve o início da cobrança da taxa de contingência, em outubro passado. Até o dia 19 do mês passado, a Caesb arrecadou R$ 42 milhões. A cobrança foi suspensa.
Medidas precisam continuar
O especialista em economia de água Igor Alcântara avalia que as pessoas se conscientizaram com o tempo. A curto prazo, ele projeta que o futuro deve ser mais tranquilo se as medidas continuarem. “Eu acredito que a gente vai conseguir sair dessa crise, assim como ocorreu com São Paulo”, compara Alcântara.
Em relação à economia em casa, para ele, o mais importante é lembrar que existem alternativas para todos os tipos de bolsos. O estudioso já acompanhou trabalhos em que, por meio de mudanças pequenas, as famílias conseguiram a diminuição de 30% das contas de água.
Para quem está disposto a investir mais na economia, há dispositivos simples que, se colocados em torneiras e em descargas, reduzem a saída de água. Além disso, é importante verificar se não há vazamentos. Se tudo isso for levado em consideração, ele garante que a conta mensal vai cair, e o meio ambiente, agradecer.
O especialista assegura que o retorno é garantido. No entanto, se a pessoa não tem como investir nisso, ela pode tomar algumas medidas mais simples que trarão resultado, como diminuir o tempo dos banhos e da escovação dos dentes.
Para o futuro, o presidente da Caesb, Maurício Luduvice, espera que a população consiga perceber os resultados dos esforços deste ano e que os sistemas Descoberto e Santa Maria possam ser preservados.