Ingrid Soares
ingrid.soares@jornaldebrasilia.com.br
A interdição da pista de cima do viaduto da Avenida Samdu, em Taguatinga, ocorreu na manhã de ontem. Ao que tudo indica, a situação deve durar por mais 15 dias no sentido sul-norte. As obras dividiram opiniões de motoristas, passageiros, moradores e comerciantes.
Com o apoio do Departamento de Trânsito (Detran), o bloqueio dá continuidade às obras de recapeamento que a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) iniciou em 18 de julho para preparar a inversão da avenida e da Comercial.
O autônomo Ademilson Freitas, 57 anos, defende que, apesar do aumento do fluxo de carros, a iniciativa é válida. “Tudo o que for feito para trazer melhorias para a cidade é bem-vindo. Às vezes, temos que enfrentar o caos, mas, quando estiver pronto, penso que haverá um desafogamento”, comenta.
O comerciante Gilberto Ferreira, 53 anos, acredita que as obras trarão benfeitorias: “É um mal que vem para o bem. Já morreu muita gente nessas pistas. Estava na hora de alguém fazer alguma coisa”, relata.
Para o auxiliar de cobrança Cristian Lisboa, 19 anos, a situação melhora apenas para quem tem carro: “Para quem dirige é bom, mas vai prejudicar quem depende de ônibus, porque a via vai ser de um sentido apenas. Não sabemos se terá como pegar ônibus ou se teremos que andar até a parada mais próxima, que, no caso, não é tão perto”.
Aos motoristas que saem de Taguatinga Sul pela Samdu e chegam à região central, resta procurar caminhos alternativos como o acesso lateral da Policlínica de Taguatinga.
No cumprimento de sua função, o motorista de ônibus Luiz Carlos Teixeira, 60 anos, ressalta que as obras atrapalham o trânsito e a rota que deveria seguir. “É muita movimentação. Os carros ficam mal estacionados, nos atrasam e temos horário a cumprir. Deveriam fazer um planejamento”, reclama.
Para a aposentada Djalma Menezes, 59 anos, o caminho escolhido para chegar mais rápido acabou sendo o mais demorado: “Um horror. Me arrependi de ter saído de casa. Gastei quase uma hora do centro pra cá”, afirma.
Saiba mais
De acordo com a Governo do Distrito Federal, os demais aspectos da alteração, como a construção de calçadas e ciclovias, serão discutidos em reuniões de trabalho entre representantes do governo, da comunidade e de movimentos organizados da região administrativa.
Sentidos serão invertidos
Nas duas vias, Samdu e Comercial, circulam cerca de 70 mil veículos por dia. Segundo o GDF, com a inversão, o fluxo na Samdu será do centro em direção à Avenida Hélio Prates.
Na Comercial, o tráfego fluirá no sentido norte-sul, do Taguacenter à área central de Taguatinga. A mudança inclui a reprogramação das sinalizações horizontais e verticais, dos semáforos e das linhas de ônibus, além de reforço na iluminação e na segurança.
A higienizadora Helen Vivian, 33 anos, conta que saiu de casa às 7h, pegou uma lotação e chegou ao trabalho às 8h30. “Isso prejudica muito nosso trabalho. Acaba que temos que sair mais tarde para compensar”, conta.
A contatóloga Katia Regina, 32 anos, trabalha em uma ótica no local e relata a dificuldade de entrar na rua com o veículo. “A fila de carros quase não anda. E fica pior ainda para estacionar. Está tudo muito bagunçado”, diz.