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Brasília

Em Sobradinho, moradores lutam para reerguer suas casas após temporal

Arquivo Geral

09/10/2015 6h00

Ingrid Soares

ingrid.soares@jornaldebrasilia.com.br

Após o temporal de granizo que destelhou e destruiu casas na Vila Basevi e na Fercal, em Sobradinho, na terça-feira, o trabalho de reconstrução da cidade continua. Os moradores contam com a ajuda de doações civis e empresariais para tentar retomar a rotina. Os fornecimentos de água e energia elétrica na região foram restabelecidos. 

Alguns empresários locais entregaram às famílias afetadas quatro mil telhas e dez rolos de lona preta com quatro metros de largura e cem metros de comprimento. 

Rosa Maria Pereira, 62 anos, aposentada, compareceu ao posto de comando na entrada da cidade para conseguir alguns metros de lona para cobrir o teto. É uma medida paliativa na falta das telhas. 

Há dois dias, ela fez o cadastro e adquiriu uma cesta básica. “Essa chuva de gelo foi coisa de outro mundo. A minha casa ficou totalmente destelhada. Perdi tudo. Disseram para tentar ligar os aparelhos elétricos em 15 dias para ver se funcionam. É muito triste ver a minha casa nesse estado”, desabafa Rosa Maria. 

Solidariedade

A advogada Iomar Torres, 54 anos, foi uma das pessoas que compareceu ao lugar para deixar doações: “Eu não gostaria de passar por um momento desse. Se passasse, gostaria que fizessem o mesmo, que me apoiassem em uma hora tão difícil.” Ela doou roupas, calçados, bolsas, cobertor e pijamas. Outras pessoas levaram alimentos não perecíveis.

O governador Rodrigo Rollemberg esteve novamente no local, na manhã de ontem, para conversar com os moradores sobre as providências em relação aos estragos causados pela chuva. Na região, começaram os trabalhos de poda de árvores e recuperação da Escola Classe Basevi, que estava interditada. 

O encarregado de obras da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) Marinoel Lopes relata que está sendo feito o recolhimento dos escombros e que, em uma semana, a escola estará recuperada. “O estrago foi muito grande, e agora fazemos a limpeza do colégio. Estamos esperando as telhas chegarem”, completa.

GDF oferece cestas básicas e colchões

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Social (Sedhs), 350 cestas básicas estão à disposição da população e que, se houver necessidade, a pasta dispõe ainda de outras 1,5 mil. Além disso, o órgão doou 50 colchões, mas, como o número não foi suficiente para suprir a demanda dos moradores, a secretaria prometeu realizar a compra de mais itens.

A major Solange, da Defesa Civil, conta que a solidariedade da população é grande: “A todo momento chegam  doações. Quem vier e estiver precisando, será atendido”.

O presidente da Associação Comunitária dos Moradores da Vila Basevi, Elildo Nunes da Costa, conta que a associação também foi atingida pela chuva. Segundo ele, o teto cedeu, e os materiais eletrônicos ficaram comprometidos. 

Nunes cobra mais rapidez do governo em relação ao auxílio oferecido. “A ajuda do governo está fraca. Fizeram muita propaganda, mas precisamos de agilidade. Precisamos de muitas telhas, e a força-tarefa tem que funcionar para limpar as vias. A maioria das ruas está bloqueada”, pede.

Os moradores prejudicados pela chuva podem realizar o cadastro nos dois postos montados pela Defesa Civil na entrada das cidades. Eles devem levar, se possível, documentos pessoais, comprovantes de renda e de endereço. 

Quem quiser ajudar pode doar material para reconstrução das casas, roupas, utensílios e alimentos não perecíveis nos postos de comando. 

Mais de cem moradias destelhadas

Ao todo, 114 residências foram destelhadas, sendo 51 na Vila Basevi e 63 na Fercal, após o temporal de terça-feira. Cerca de 700 pessoas foram atingidas com os estragos nas regiões.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Humano e Social, Marcos Pacco, equipes com 60 servidores, divididos entre os locais, definem, entre os prejudicados, quem terá direito a receber o auxílio-vulnerabilidade, no valor de R$ 408, e, em seguida, farão a entrega de cestas básicas. 

“Cada equipe tem um assistente social que visita as casas com um questionário socioeconômico que leva em conta a renda e a quantidade de pessoas que moram na residência. Com base nos relatórios, é realizada uma triagem e, por meio dela, vemos a  necessidade de cada um e a melhor maneira de ajudar”, explica Pacco.

De acordo com o secretário, para ter direito ao benefício, entre outros critérios, o indivíduo deve possuir renda per capita inferior a um salário mínimo.

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