Jurana Lopes
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Em uma semana, a Secretaria de Saúde (SES-DF) confirmou mais 316 novos casos de dengue na capital. O DF contabiliza 3.519 ocorrências confirmadas desde janeiro deste ano até quarta-feira passada. No mesmo período, 458 casos em moradores de outros estados foram identificados no DF. Brazlândia segue no topo do ranking, seguida de Ceilândia e de São Sebastião.
Preocupados com a situação, moradores dessa última cidade procuraram o JBr. para denunciar a existência de focos do mosquito Aedes Aegypti. No Conjunto 6 da Quadra 306, a população reclama de um contêiner abandonado próximo a um campo de futebol.
Segundo a vizinhança, o recipiente foi deixado ali há quase dois anos, e, desde que começou o período de chuvas, se transformou em um criadouro de larvas. Até agora, pelo menos oito pessoas teriam contraído dengue.
O cozinheiro Daniel Teixeira, 33 anos, mora próximo ao local e tenta mobilizar os vizinhos sobre a importância da prevenção. “Já procurei a administração regional e nunca resolveram o problema. Enquanto isso, a água parada se acumula dentro desse contêiner”, afirmou.
Daniel também teme que alguma criança se machuque, pois a garotada sobe e desce dali a todo momento. Enquanto a equipe de reportagem do JBr. estava no local, dois meninos escalavam o contêiner enferrujado. “Se uma criança cair, pode se cortar e contrair uma doença séria como tétano, já que lá tem latas, ferros e garrafas. Além do risco de quebrar uma perna ou um braço”, observou o morador.
Irresponsabilidade
De acordo com Daniel, o responsável pelo contêiner sabe do problema e não se dispôs a tapá- lo. Além disso, ele reclama da falta de consciência de alguns vizinhos, que insistem em jogar lixo nas proximidades do campo de futebol.
“Não adianta alguns se prevenirem e outros não, porque o mosquito voa e prejudica toda a vizinhança. Prova disso é que tem muita gente com dengue”, reclamou. Daniel confirmou que o caminhão de combate ao mosquito passa pelo menos uma vez por semana na região.
Vizinhança contabiliza infectados
Moradora de São Sebastião, Cláudia Aguiar, 34 anos, repositora em supermercado, tem medo de que a filha e a sobrinha adoeçam, pois elas moram muito perto da caçamba abandonada. “Já peguei dengue há alguns anos e sei como é o sofrimento. Nós procuramos a administração regional e ninguém toma uma providência. Só quando morre alguém é que as autoridades fazem alguma coisa”, disse, indignada.
A estudante Vanessa Osório, 17 anos, teve dengue recentemente e se sente de mãos atadas. Em sua casa, todas as medidas preventivas para combater o Aedes Aegypti são tomadas, mas, mesmo assim, ela e o vizinho foram contaminados. “Tenho quase certeza de que essa caçamba velha é a responsável por causar dengue na vizinhança. Sou impotente diante desse problema”, avaliou.
Em nota, a Administração Regional de São Sebastião informou que o administrador da cidade, Jean Duarte de Carvalho, esteve no local por duas vezes na última semana, na tentativa de encontrar o dono da caçamba, e não obteve êxito. Ele decidiu que hoje fará uma nova tentativa. Se o proprietário não for localizado ou se for encontrado e não tomar as providências necessárias, o administrador enviará uma equipe ao local, na próxima segunda-feira, para efetuar a remoção e comunicar a Vigilância Ambiental.
Enquanto isso, na tenda atenção à dengue montada no estacionamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião, 48 casos foram confirmados em uma semana. A média diária de pacientes varia de 100 a 120. Somente ontem, 91 pessoas procuraram atendimento.
Saiba mais
Do total de casos de dengue no Distrito Federal, as regiões administrativas de Brazlândia, Ceilândia, São Sebastião, Taguatinga, Samambaia e Planaltina responderam por 2.257 casos: um percentual de 64%. Brazlândia continua a área com a maior incidência, 20% do contabilizado no período. Em relação aos casos graves de dengue que evoluíram para óbito, até a sétima semana epidemiológica, foram notificadas nove mortes— quatro de residentes do Distrito Federal e cinco de Goiás.