Jurana Lopes e Ingrid Soares
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Caso não haja mudanças consistentes na mobilidade urbana do DF, a tendência é de que os engarrafamentos aumentem e a capacidade das principais vias ultrapasse o limite em 2020. O alerta veio acompanhado do início de uma pesquisa a ser feita para planejar os melhores tipos de transporte público para os próximos anos.
Por meio da Pesquisa de Mobilidade Urbana do DF (PMU), do Metrô-DF, serão entrevistados 50 mil moradores em 20 mil residências de todo o DF e parte da Região Metropolitana até setembro.
As entrevistas serão feitas nas residências sorteadas, por funcionários identificados com bonés e coletes azuis com a marca da pesquisa, além de crachá com nome e número de identidade. A coleta deve incluir dados socioeconômicos, informações sobre deslocamentos e características do morador.
O resultado vai direcionar a elaboração do Plano de Desenvolvimento do Transporte Público Sobre Trilhos (PDTT-DF), que tem conclusão prevista para julho de 2017. O consórcio formado por Logit e Tecton foi contratado em agosto passado por R$ 5,26 milhões, com prazo de 24 meses para entregar os documentos.
“Essa é a primeira vez, em todo o País, que teremos uma pesquisa voltada para o modelo metroferroviário. O mundo inteiro tem os trilhos como modal preferencial, pois possui alta capacidade de transporte e de sustentabilidade”, destacou Marcelo Dourado, presidente do Metrô.
De acordo com ele, com os estudos, será possível definir os corredores de transporte público que melhor atendam às necessidades de deslocamento e que melhorem a qualidade de vida dos moradores.
A pesquisa vai gerar um banco de dados consolidado e independente, que poderá ser usado pelas próximas gestões para orientar os investimentos. “O PDTT pretende fazer projetos de curto, médio e longo prazo, porque os gestores passam, mas precisamos de uma base de dados séria para deixar como referência. A pesquisa vai indicar quais outras linhas de metrô devem ser criadas”, explicou.
O último Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade (PDTU) mostrava que 40% das viagens originadas no DF eram destinadas ao Plano Piloto. Entre 2001 e 2009, a frota de veículos privados cresceu 75%, ritmo que não foi acompanhado pelos modais públicos. Com isso, os automóveis eram responsáveis por mais da metade dos deslocamentos. O PDTU mostrou que, sem investimento em transporte coletivo de alta capacidade (como metrô e VLT), as principais vias terão capacidade esgotada daqui a quatro anos.
Obras ao longo de 2016
De acordo com a assessoria do Detran, não há previsão para o término de toda a extensão das ciclofaixas em Águas Claras, pois o projeto é amplo e envolve obras no decorrer do ano. O órgão inicia hoje ações educativas nas avenidas Araucárias e Castanheiras. E também lançará, no dia 22, uma campanha de conscientização.
Ciclofaixa tão recente e tão polêmica
As ciclofaixas de Águas Claras estão dando o que falar. A polêmica da vez é por conta de acidentes com ciclistas após inauguração e pintura das passagens na Avenida Araucárias, que fazem parte do projeto Mobilidade Ativa. O fato de a faixa ser de mão única, além de estreita, é uma das reclamações.
Em pouco mais de uma semana, houve dois acidentes. O primeiro foi no último domingo, na esquina da Rua 20 Sul, e o segundo, na quarta-feira, na esquina da Rua 18 Sul, perto de um mercado.
Moradores debatem o assunto no Facebook. A vítima do acidente na Rua 18 contou que essa foi a primeira vez em que usou a faixa e, por sorte, não sofreu nada grave. Segundo ele, os motoristas prestam menos atenção quando estão à esquerda da avenida do que à direita, tendo a visibilidade afetada pelas construções.
O ciclista Antônio Domingos, 19 anos, testou e aprovou a ciclofaixa. Ele considera positiva a ação: “Melhorou muito a vida de nós que fazemos o uso da bike, pois antes não tínhamos nem por onde transitar.”
Outros moradores relatam que alguns ciclistas não têm respeitado a ciclofaixa e andam na contramão dela (o sentido é único). Um deles até flagrou o momento de uma colisão frontal.
Desde o fim de março, as duas principais avenidas de Águas Claras — Araucárias e Castanheiras — tiveram alteração de velocidade. Agora, a máxima permitida é 50 km/h, em vez de 60 km/h. De acordo com o Detran-DF, a mudança foi feita para que carros, motos e bicicletas transitem de forma mais segura. As placas de trânsito foram trocadas, e a fiscalização eletrônica será ajustada.