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Brasília

Em processo de reabilitação, ex-usuária de drogas ganha novo visual em salão no Lago Sul

Arquivo Geral

30/11/2017 7h00

Foto: Kleber Lima

Jéssica Antunes
jessica.antunes@grupojbr.com

Weslainy Gomes de Araújo conheceu cedo o mundo das drogas. Ela completou a maioridade dentro de uma cela no Presídio Feminino de Luziânia (GO), na Região Metropolitana do DF, onde ficou detida por 12 dias por tráfico. A mulher abandonou a família, morou na rua, comeu lixo, roubou e quase foi assassinada. Há sete meses em uma casa de recuperação, agora ela espera mudar de vida. Para selar essa nova fase, ganhou de presente uma transformação total em um salão no Lago Sul.

Cearense de Novas Russas, a mais de 300 quilômetros da capital, Weslainy foi dada em adoção aos 3 meses de vida. Ela concluiu o Ensino Fundamental e tinha a carreira de Medicina como sonho. Aos 13 anos, morando no bairro Céu Azul, ela conheceu cerveja e cigarro em festas. Aos 17, a mulher teve a primeira filha, que vive com a avó, e imergiu no tráfico que a levou à prisão.

“A droga rolava solta dentro do presídio e eu comecei a usar. Quando saí, vi que minha mãe sofria com aquilo e preferi ir para a rua”, conta. Ela passou por Ceilândia, Estrutural, Plano Piloto. “Eu passei fome, comi do lixo, comprava droga para consumir e revender. Roubei várias vezes – a gente arrombava lojas -, Já vi muita coisa, muita briga, muita morte. Atearam fogo em um homem ao meu lado”, lembra.

Quando estava na rua, Weslainy se envolveu com um homem, também do mundo do crime. O relacionamento começou após ela dividir um lanche com o rapaz, que havia fugido do Complexo da Papuda. “Ele era muito ciumento. Matou cinco pessoas na minha frente e deve ter assassinado umas 50 na vida”, revela. O homem foi preso.

Os dois se reencontraram no Dia das Mães deste ano. “Ele deixou a prisão no saidão e foi atrás de mim, ameaçando me matar. Cortei o colchão com uma navalha e me escondi dentro. Tive e ainda tenho medo. Acho que isso só vai passar no dia que ele morrer”, diz.

Longe do que faz mal

Depois de três tentativas, agora Weslainy está “limpa” há sete meses. Na Casa de Recuperação Criação de Deus, na Colônia Agrícola Águas Claras, no Guará, ela recebeu apoio. Hoje, trabalha em um lava a jato mantido pela entidade e como empregada doméstica na casa de um dos líderes religiosos da instituição. O sonho de ser médica ficou para trás. “Está tarde”, acredita. Agora, ela quer aprender confeitaria para fazer produtos como os que vê na televisão.

Recentemente, Weslainy retomou o contato com a mãe biológica. Oitava filha da família, a mãe preferiu entregá-la a uma parente de uma funcionária do hospital onde nasceu. “Ela disse que não tinha condições e apanhava do marido alcoólatra”. O reencontro, por telefone, foi cheio de revelações. Uma das irmãs também se envolveu com drogas e se recuperou.

Presente de aniversário

Weslainy mantém o cabelo preso e resiste a soltá-lo. Ela garante que nunca usa maquiagem e que jamais se produziu. Ontem foi um dia diferente. Ao completar 25 anos de vida, ganhou um “dia de beleza” no salão Paulo Rogério Studio, na QI 11 do Lago Sul, com direito a pintura de cabelo, maquiagem completa e manicure. Com nervosismo explícito nas mãos inquietas, ela vestiu um roupão imponente e ficou, por horas, sob cuidados de vários profissionais.

O presente foi ideia da maquiadora Janaina Jório. “A vaidade é importante, especialmente para mulher. Algumas, quando ficam tristes, passam um tempo em salão de beleza, mas há quem não tenha condições. É bom poder dar essa oportunidade a pessoas assim e colocar um sorriso no rosto delas”, afirma. Ela teve apoio de toda a equipe de produção. O cabeleireiro e maquiador paranaense Paulo Rogério foca na autoestima: “Brotar uma sementinha de amor é minha realização profissional”.

O cabelo, antes preso, passou por um retoque de raiz, pigmentação de luzes e hidratação. Agora está solto e tingido com a cor que ela escolheu: chocolate. “Nunca fui de me maquiar, fazia as coisas básicas às vezes. Mas agora vou ser mais vaidosa”, diz. O sorriso é reflexo do presente que Weslainy diz ser o segundo melhor dia da vida dela, depois do nascimento da filha.

E com uma maquiagem bem caprichada, unhas pintadas e de vestido Alessandra Bernardes, se sentiu no paraíso. Para a jovem foi tudo uma surpresa, e, ao se olhar no espelho toda produzida, mal se reconheceu. “Foi uma surpresa esse presente, tudo igual a um conto de fadas. A minha filha, se brincar, vai ficar até mais feliz que eu. Vai levar um susto, mas vai gostar”, conta. (Colaborou Amanda Karolyne)

Saiba mais

A Casa de Recuperação Criação de Deus é uma comunidade terapêutica que acolhe pessoas em situação de vulnerabilidade e dependentes químicos que querem se livrar do vício.

Doações, visitas e contatos podem ser providenciados pelo telefone 3381-0062.

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