Eric Zambon
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As universidades particulares enfrentam uma crise sem precedentes por falta de alunos e estão dependentes de programas do governo para se manter. Como consequência, instituições tradicionais do DF têm se desfeito de professores antigos e priorizado o Ensino à Distância (EAD), que agrega mais estudantes e custa menos em hora/aula dos instrutores.
O estudo mais recente do Ministério da Educação (MEC), o Censo da Educação Superior referente a 2016, aponta que, naquele ano, as instituições privadas perderam 16,5 mil estudantes em todo o País, a primeira queda desde 2005. Desde então, o agravamento da crise é notório, e Brasília não esteve alheia a esse contexto. Nos últimos dois anos, quando a recessão econômica foi mais sentida, as faculdades promoveram cortes sob a justificativa de adequação à realidade.
Somente entre dezembro de 2017 e o mês passado, o Sindicato dos Professores em Estabelecimento Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinproep) estima que quase 2 mil profissionais tenham sido demitidos. “Basicamente, o que eles estão fazendo é se reestruturando, principalmente as grandes empresas de nível nacional. Isso para poder aumentar o lucro”, acusa o diretor de comunicação da entidade, Trajano Jardim.
Segundo ele, o crescimento da EAD também está ligado a essa mentalidade, pois as mantenedoras podem colocar milhares de alunos sob a responsabilidade de um único professor e, mesmo assim, pagar menos por isso. “Cada docente tem na plataforma quase 500 alunos por disciplina, para ganhar R$ 24 por hora, em média. Algumas querem pagar até mesmo R$ 18 e ainda assinar a carreira como tutor, não professor”, denuncia.
“Injusta causa”
Um dos mestres atingidos pelos cortes foi Luis Carlos Iasbeck, desligado na Universidade Católica de Brasília (UCB) no início deste ano, após 32 semestres de serviços prestados. Ele brinca que, como não houve razão legal para sua saída, foi dispensado por “injusta causa”, mas admite ter se chateado.
“As universidades não passam por crise de conhecimento, mas financeira. Os administradores querem resolver demitindo os professores”, simplifica.
Salas de aula esvaziadas
O professor Luis Carlos Iasbeck aponta a recessão econômica do País como razão para a diminuição do número de estudantes e toma como exemplo o curso de Comunicação Social da UCB, do qual ele fazia parte. “Há uma crise de demanda. Por volta de 2010, tínhamos 1,2 mil alunos, mas hoje há cerca de 350”, evidencia.
Uma das broncas que Iasbeck tem com as instituições é em relação às respostas criadas por elas para justificar as reformulações. Segundo ele, o EAD tem sido a forma encontrada para aumentar a quantidade de estudantes por professor e cobrar a mesma coisa ou ainda menos em relação às aulas presenciais.
“Eles sempre usam a explicação pedagógica para defender, mas a base disso é financeira”, assegura. Ele afirma, ainda, que sem o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e sem as bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni), nenhuma instituição de ensino superior conseguirá se manter competitiva no mercado.
No DF, o ProUni colocou quase 22 mil pessoas em cursos do Ensino Superior em 2017 e pode inserir ainda mais gente na vida acadêmica este ano. As inscrições para o programa abrem hoje e um número consolidado para o primeiro semestre deve ser divulgado ao fim do mês.
O Jornal de Brasília procurou as maiores universidades, centros universitários e faculdades que atuam cidade para saber a respeito da participação, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição. O Sindicatos das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos Particulares de Ensino Superior do Distrito Federal (Sindepe) não disponibilizou fonte até a última sexta-feira. Mas, sobre números de matrículas, disse que só se manifestaria ao fim do período de novos registros, ao término de fevereiro.
Saiba mais
As inscrições para o ProUni foram abertas hoje e o Ministério da Educação não divulgou um número esperado. Em 2017 foram quase 3 milhões, considerando que os cadastrados podem optar por até dois cursos. Destas, foram concedidas 214.242 bolsas para 13.521 graduações e a tendência é que o número cresça.
Conforme o Censo do MEC, em 2016 ainda houve crescimento do índice de matrículas trancadas em relação aos três anos anteriores, com variação de 25%. Foram mais de 1,3 milhões de inscrições congeladas.