Em momentos de comemoração, o silêncio é tomado pelos gritos, rojões, músicas em volume elevado e buzinas que extravasam a alegria de quem propaga esses sons, principalmente em tempos de Copa do Mundo. Porém, em meio a tanta alegria e, principalmente, barulho, uma questão passa despercebida: o quanto os ouvidos sofrem diante dos ruídos.
Segundo o otorrinolaringologista André Neri, do Hospital Santa Marta, um dos fatores que mais agridem a saúde da audição nessas épocas festivas são os rojões. “É um barulho muito alto e repentino, o que causa um trauma ao nosso aparelho auditivo”, explica Neri. Quanto mais próximo às pessoas os rojões são disparados, mais incomodam e comprometem a audição. No dia de abertura da Copa, inclusive, um grupo de amigos disparou um rojão em um bar. Resultado: foi convidado a se retirar.
Aliás, outro local que pode ser danoso ao ouvido humano é o ambiente fechado de um bar. Segundo André Neri, ficar mais do que uma hora neste tipo de local pode causar danos à audição. “O ideal é ficar durante o tempo do jogo, de preferência longe de caixas de som. Ficar exposto muito tempo ao barulho pode causar os zumbidos e outros desconfortos”, alerta o especialista.
Consequência
Os problemas na audição não se limitam apenas ao zumbido. Tonturas, enjoos, sudorese e taquicardia são problemas que podem ocorrer se a exposição a ruídos for prolongada ou repetida. “Uma pessoa que frequenta locais com muito barulho, semanalmente, vai aos poucos danificando sua audição com pequenos traumas”, ressalta o otorrinolaringologista.
André Neri ainda fez um alerta sobre a intensidade dos danos: “Se a pessoa ouve o zumbido por um dia, e após um descanso em um local silencioso não o nota mais, está tudo bem. Porém, se o desconforto permanecer mesmo após o descanso, é necessário que se procure um médico”, instrui André Neri, que ainda fez uma ressalva: “Gritos, apesar de incômodos, são os menos danosos aos ouvidos”, explica.
Hora de buscar ajuda
O garçom Gaspar Lopes, 52 anos, já teve de procurar ajuda médica para tratar o zumbido incômodo. “Eu sentia isso devido ao barulho do dia a dia, porém, certa vez, estive perto de uma pequena explosão. Fui obrigado a procurar um médico e fazer tratamento”, relata. Depois do auxílio médico, o garçom afirma que nunca mais teve o problema.
O dono do bar no Sudoeste onde Gaspar trabalha, Rosemberg Leite, 44, também lida diretamente com o barulho. Caixas de som, volume alto, batuques e gritaria estão na sua rotina. “Às vezes eu ouço o zumbido quando chego em casa, mas nada muito forte ou que fique por muito tempo”, conta Rosemberg. “Quando estou muito cansado é um fator a mais para incomodar”, conclui.
Dicas
Para manter a saúde auditiva plena, alguns cuidados podem ser tomados:
Em locais fechados com muito barulho, procure ficar no máximo uma hora.
Evite ficar próximo a caixas de som.
Use proteção caso a exposição a um barulho muito grande for invevitável.
Não nade sem uma proteção específica para os ouvidos.
Não pingue remédios, óleos ou qualquer outro produto no ouvido sem orientação médica.
Se o zumbido permanecer após uma noite de sono, procure um médico o mais rápido possível.