Lenir de Andrade, 69 anos, é costureira há mais de 20 anos. Após sair de um ateliê na Asa Sul, onde iniciou a carreira, a necessidade a fez encontrar um jeito peculiar de continuar exercendo o ofício: costurar dentro de uma Kombi, comprada em um ferro velho. O carro não possui documentação e só funcionou até ser estacionado no local em que permanece há oito anos: na Quadra 203 Sul, em Águas Claras. Agora, ela busca ajuda para reformar o veículo, que como ela própria define, é seu “ganha-pão”.
Assim que saiu do ateliê, Lenir costurava no automóvel do marido. Ele estacionava o carro e ia trabalhar, enquanto a mulher passava o dia entre tesouras, fitas métricas e a máquina de costura. Após longos anos de parceria, porém, ele se aposentou. Foi quando ela resolveu comprar a Kombi. “Por isso, não posso parar de trabalhar. Ganho pelo que produzo e contamos apenas com o dinheiro da aposentadoria do meu esposo para complementar a renda”, explica.
Após tantos anos parada no mesmo local, no entanto, a Kombi está velha e enferrujada. O calor no interior do veículo é um incômodo. Para amenizar, Lenir improvisou placas de isopor colocadas no teto, que servem como isolante térmico. Quando chove, ela precisa se trancar dentro do carro, sem ventilação. Além da ausência de janelas, goteiras começam a surgir. “Quando as clientes querem experimentar roupas, entram no carro e eu fecho as portas. É apertado e abafado, mas elas são compreensivas”, brinca.
A costureira, que tem clientela fixa, atende de segunda-feira a sábado. Chega religiosamente às 8h e sai às 17h, às vezes sem horário de almoço. O trabalho duro, porém, não rende o suficiente para reformar, por conta própria, seu principal instrumento de trabalho.
Dificuldade
Atualmente, a costureira tem renda mensal entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por mês. O dinheiro mal dá para o aluguel do apartamento em que ela vive com o marido e uma filha, em Águas Claras, de R$ 1,9 mil.
Ela relata que quando começou a trabalhar na quadra só havia um prédio no local. “O síndico e os moradores são favoráveis a minha permanência. Os outros condomínios foram construídos depois”, diz. Por isso, a administração regional permite que ela fique na área.
