Fábio Magalhães
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A celebração do Natal e a proximidade do inicio de um novo ano é um período propício para se repensar na vida e traçar metas. É um tempo de recarregar as baterias, tomar impulso e buscar novos desafios. É, ainda, uma chance de olhar para trás e ver todos os obstáculos vencidos e inspirar-se para novas batalhas que, inevitavelmente, virão. Nesta época, inúmeros brasilienses têm um motivo a mais para festejar: uns, por ter superado limitações físicas ou doenças, outros por ter conquistado bens, mas, todos, com certeza, brindarão e festejarão somente pelo fato de estarem vivos.
Um dos brasilienses que celebra a vida neste momento é o estudante Leonardo Pereira, 17 anos. Desenganado pelos médicos, o garoto foi diagnosticado com Amiotrofia Espinhal Tipo 3, que causa atrofia dos músculos. Segundo a previsão dos médicos, ele poderia viver, no máximo, até os 12 anos. Conforme lembra a mãe, Luzinete Pereira, 54 anos, a doença começou a dar sinais quando ele tinha cinco anos e ainda andava e brincava como qualquer criança: “Os médicos me disseram que o tempo de vida dele seria de até 12 anos. Eu desabei, porque o médico disse quando o meu filho iria morrer e isso é muito difícil para uma mãe”, recorda.
ESTUDOS
Acima de todas as expectativas, Leonardo ultrapassou a idade que os médicos estipularam. Apaixonado pelos estudos, depois de muitos problemas enfrentados por causa da difícil locomoção e das constantes internações, ele, neste mês de dezembro, concluiu o Ensino Médio. Sua meta, agora, é formar-se em direito e tornar-se promotor de Justiça: “Quero virar promotor e mandar prender muitos bandidos”, brinca Leonardo.
Para o garoto estudar, os pais tiveram inúmeras dificuldades. A mãe, que precisava acompanhar as aulas do filho durante todo o horário letivo, muitas vezes precisou empurrar a cadeira de rodas de Leonardo, por mais de três quilômetros, até chegar à escola, porque os ônibus, embora adaptados, não paravam: “Era revoltante. Foi muito difícil, mas com a doação de todos os brasilienses ganhamos um carro e a cadeira de rodas motorizada. Estamos muito gratos com a solidariedade de todos”, reconhece Luzinete.
O garoto, que tem como principal companhia uma cachorra chamada Lili, faz um balanço do ano que se passou e de todas as dificuldades encontradas no caminho: “Fiquei internado só duas vezes, consegui terminar o Ensino Médio e agora vou para a faculdade. A vida é legal, apesar das dificuldades”, finaliza, bem humorado, Leonardo.