Menu
Brasília

Elas também são patroas

Arquivo Geral

27/04/2013 10h20

Assim como a maioria das classes trabalhistas, os empregados domésticos enfrentam uma longa rotina, que começa de manhã e só termina no fim do dia. E, enquanto se dedicam à casa dos patrões, seus lares também exigem cuidados. Uma pesquisa do Instituto Data Popular mostra que, de cada cinco trabalhadores do setor, um conta com a ajuda de um colega de profissão na sua própria casa. Hoje, Dia da Empregada Doméstica, a categoria mostra que não para de evoluir.

 

O levantamento se baseia na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o caso da diarista Lucicléia Ribeiro Abreu, 35 anos. Ela precisa se ausentar quatro dias por semana para trabalhar e, para isso,   conta com a ajuda da cuidadora de crianças Carla Dourado, 25 anos.

 

 Assim, a diarista desembolsa R$ 200 por mês para que a colega cuide da filha de sete meses. Ela percebe alguns progressos da profissão. “Sinto que estamos conquistando direitos que têm feito a diferença. Espero que tenhamos ainda mais qualidade de vida”, afirma.

 

Confiança

 

Lucicléia conta que contrata o serviço para suprir a ausência de casa. “Como fico muito tempo fora, tenho que deixar minha filha sob os cuidados de alguém de confiança”, aponta Lucicléia.  Carla, por sua vez, diz que encara a rotina como um bico. “Cuido de três crianças, além da minha bebê. Eu gosto de crianças e como optei por ser dona de casa até que minha filha cresça mais, resolvi olhar os filhos de mães conhecidas minhas também”, revela.

 

De acordo com a pesquisa do Data Popular, o setor movimenta R$ 43 bilhões por ano. Em 2010, no País, 6,02 milhões de pessoas realizavam trabalhos domésticos. Entram nesses números caseiros,  faxineiras, empregadas domésticas e diaristas. Motoristas, jardineiros e limpadores de piscina, embora possam ser enquadrados na categoria  em alguns casos, não entram na lista. 

 

Wagner Sarnelli, sócio-diretor do Data Popular, considera que a grande mudança da categoria  está baseada no papel da mulher na sociedade. “Ela está mais presente no mercado, mas as tarefas domésticas continuam, o que a obriga  a achar uma alternativa”.

 

Contratação por uma necessidade

 

No DF, são mais de cem mil trabalhadores domésticos, o que representa 7,69% do total de ocupados.  Dentro deste percentual está   Rosana Rosa de Jesus, 24 anos, que trabalha de segunda à sábado, das 8h às 17h. Ela tem três filhos, dois deles moram com ela, de sete e dois anos. Ela paga à vizinha R$ 250 para cuidar da filha menor.  “Sempre recorri a estes serviços, já que sou mãe solteira. Contrato por necessidade”, explica. 

 

Apesar de ter sua carteira assinada, ela diz que ficaria inviável formalizar o acordo com a colega. “Sei que é um valor simbólico, um acordo entre vizinhos. Mas se não fosse assim, não conseguiria arcar com as despesas”, constata.

 

Informalidade

 

Para a antropóloga da Universidade de Brasília (UnB) Lia Zanotta, a informalidade não está concentrada na classe média. “Nas classes mais baixas,  isso se dá pelos poucos recursos disponíveis para os cuidados da família. Fatores como o trabalho não qualificado, e até mesmo  a falta de creche públicas, contribuem para este movimento”, diz.

A especialista considera que, embora, seja um movimento interessante, o fato de o trabalhador doméstico também ter um colega de profissão contratado de maneira informal é um complicador. “Estamos dando  um bom passo para a regularização, justamente porque a intenção da lei é aumentar a formalização do trabalho. A questão da previdência  também fica prejudicada na   informalidade”, completa.

 

Ponto de vista


Antonio Ferreira Barros, presidente do sindicato dos trabalhadores domésticos do DF, faz uma análise do cenário: “Muitos dos trabalhadores domésticos deixam suas casas por volta das 6h  para cuidar da rotina dos patrões, enquanto isto, e recorrem a conhecidos para a função de babá, diaristas e outros. Mas nada formalizados, trata-se mais de uma ajuda de custo para um pessoa que geralmente passa o dia em casa”, diz. Ele afirma que essa  remuneração gira em torno de R$ 150 mensais, já que a renda da categoria é de R$ 700, em média. “Ganhamos muito com a PEC 66. Com a nova lei e com todos os direitos garantidos estamos sendo vistos com mais respeito. É uma categoria muito sofrida, foi uma grande conquista”, completa.

 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado