Rafaella Panceri
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Para pacientes que dependem de tratamento médico pela rede pública do Distrito Federal, a falta de informação pode tornar a luta pela vida ainda mais penosa. A dona de casa Ana Rita de Jesus, de 61 anos, pensou que estava à beira da morte. Com câncer de mama triplo negativo, um dos mais agressivos, ela passou por cirurgia de remoção do seio esquerdo em outubro passado. Em seguida, foi informada, no Hospital de Base, de que teria de esperar na fila para conseguir um tratamento de que talvez nem necessite — a radioterapia. O método evita que células cancerosas contaminem as saudáveis. Sem orientação, a família convive com o medo da morte da matriarca, enquanto aguarda uma consulta, sem previsão de data.
A fila de espera para radioterapia tem 299 pessoas. Ana Rita de Jesus espera, desde novembro, uma ligação que disponibilize vaga. No entanto, ela não está na lista. A Secretaria de Saúde informou, em nota, que a paciente está inserida na Central de Regulação para consulta em Oncologia Clínica no Hospital de Base e será comunicada da data. Ao contrário do que a família acreditava, o tratamento para o período pós-operatório não está definido. Só o médico poderá dizer, nessa próxima consulta, se será por quimioterapia ou radioterapia.
A confusão aconteceu após o médico responsável pela cirurgia de remoção da mama, realizada no Hospital Regional de Ceilândia (HRC), ter dado um documento que solicita consulta com um oncologista. Nele, está escrita a classificação de risco, interpretada como tratamento: “paciente necessita de quimioterapia e/ou radioterapia”. A partir dessa informação, a família tem ido mensalmente ao Hospital de Base para perguntar quando o tratamento começará.
Medo da morte
Enquanto isso, a família convive com o medo da morte da senhora diariamente. O equívoco gerou comoção entre os parentes e fez a mulher pensar que o câncer estava voltando. Desde a última consulta com o oncologista, em 1º de novembro, ela relata sentir um mal- estar constante. “É como se o tumor estivesse aqui dentro de novo”, relatou a mulher, sem saber que não corria risco de vida. A fraqueza, segundo ela, é o principal sintoma. “Não consigo mais trabalhar em casa de família nem fazer minhas atividades. Me sinto fraca, com muita dor no local da cirurgia e nas costas”, descreve.
A família já pensava em alternativas para custear a radioterapia em um hospital particular. Pagar por conta própria seria inviável. A renda da casa, onde a senhora mora com dois filhos, vem de ajuda de outro filho, único empregado entre quatro. “Não dou conta de pagar. Queria que me chamassem logo. É o mínimo. Mas minha vida está nas mãos de Deus”, declara.
A família lamenta a situação. “É triste. Pensamos em tudo de ruim. Minha prima morreu em agosto, com câncer, e vimos o sofrimento dela. O medo é que minha mãe passasse por isso”, desabafa Raquel Soraya, 27 anos.
“Tentei não entrar em desespero, mas a tristeza foi inevitável. Tento ter fé”, complementa Saul de Lima Filho, 25 anos.
Saiba mais
A Secretaria de Saúde tem quatro aparelhos para radioterapia em dois hospitais — de Base e Universitário. Além disso, um convênio firmado com o Hospital Sírio Libanês garante 150 vagas para a rede pública.
Pacientes que necessitam de quimioterapia não enfrentam fila. Ao receber o diagnóstico, são encaminhados para receber a medicação nos hospitais de Base e Regional de Taguatinga.