A Educação Integral tem um significado diferente para quem vive em zona rural. Com uma permanência maior na escola, jovens e crianças ocupam o tempo com atividades associadas a aprendizagem ao invés de trabalharem nos roçados. Em Brazlândia, por exemplo, são aproximadamente 350 alunos atendidos pela Educação Integral, em cinco escolas localizadas na zona rural: os Centros de Ensino Fundamental 04 e Vendinha, e as Escolas Classe Bucanhão, Almecegas e Incra 7, que funcionam no Setor de Chácaras, a pelo menos 25 km do centro da cidade. No próximo ano, o Centro de Ensino Fundamental Incra 09 entra para a lista.
“Esses alunos não brincam na rua. Quando não estão na escola eles estão na roça, são filhos de caseiros, vaqueiros e pequenos produtores. Um detalhe é que muitos pais são analfabetos e, infelizmente, não dão valor na educação, preferem que o filho trabalhe. Essas crianças têm uma vida sofrida, e a Educação Integral, tem mudado isso”, confessa a vice diretora da Escola Classe Almecegas, Denise karla Rocha.
A coordenadora da Educação Integral do CEF 04, Cleide Lourencone, ressalta que os professores têm um duplo desafio. “A cada reunião com os pais é preciso convencê-los sobre a importância da escola, e com os alunos, a preocupação é oferecer oficinas atrativas”, esclarece. A experiência tem mostrado que o ideal é apresentar a novidade, o que eles não têm acesso no dia-a-dia, sem esquecer de aproveitar o que faz parte da realidade na hora de enriquecer o conhecimento.
Meio Ambiente
Na EC Incra 7, o que não tinha valor, tem melhorado as notas. Os alunos transformaram material reciclável (tampinhas, caixas de sapato, de ovos, garrafas pet e outros) em jogos educativos. “Foi tudo feito por eles. Tem um jogo que ajuda a resolver as operações fundamentais. Fazer as continhas deixou de ser um mistério para eles, o rendimento melhorou muito, isso sem falar que a gente trabalha a Educação Ambiental”, conta a coordenadora da Educação Integral na escola, Lúcia Maria Silva.
No CEF 04, a horta faz sucesso. Tem cheiro verde, couve, rúcula e plantas medicinais.”O interessante é que eles mesmos identificam algum problema, algum bicho que está prejudicando e sugerem a solução”, conta Cleide.
Descoberta de habilidades
Os alunos da EC Almecega 07 têm revelado habilidades com o artesanato, a culinária e atividades profissionalizantes. Duas vezes por semana, eles utilizam palha de milho para produzir jogo americano e flores. As meninas também aprendem a fabricar bijuterias e contam com aulas de manicure. Elas só não manuseiam o alicate, uma medida para evitar acidentes, mas aprendem a lixar, limpar e pintar.
Auto estima
Os educadores lembram que, por trás de todo o trabalho, existe uma preocupação em fazer com que o aluno se sinta valorizado. O Projeto Aprender a Conviver tem ajudado nessa missão. “O aluno de zona rural, muitas vezes, acha que não pode ou não precisa fazer isso ou aquilo porque não mora na cidade, por isso, aproveitamos recursos como o teatro, os filmes, para contextualizar ele no mundo”, ressalta Cleide Lourencone.
Outro objetivo é implementar a inclusão digital. Algumas escolas estão em busca dos computadores. Outras têm os equipamentos, os monitores para dar as aulas, mas precisam de uma sala só para isso.”Não dá para excluir esses alunos desse contexto. Ele vai precisar do computador e da internet para trabalhar, estudar, isso é realidade, não há como fugir. O que fazemos hoje já faz a diferença, mas é preciso oferecer ainda mais”, conclui Denise Roch.