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Brasília

Educação a distância: uma desculpa a menos para quem quer estudar

Arquivo Geral

02/06/2014 7h00

Qual a distância entre o ensino presencial e virtual? Para quem tem aulas pelo computador ou tablet, não é grande. Seja por falta de tempo, comodidade ou por questões financeiras, os cursos superiores a distância (também chamados de EAD) têm aumentado em oferta e, até o último levantamento do Ministério da Educação (MEC), recebido mais matriculados. Segundo os dados mais recentes, de 2012 para cada dez cursos presenciais, há um a distância.

Em 2010, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) contabilizou cerca de 930 mil matrículas em cursos a distância. Em 2012, esse número pulou para mais de 1,1 milhão. Segundo o Censo do Ensino Superior, divulgado no ano passado, o número de matrículas em EAD aumentou quase quatro vezes, em comparação com o crescimento de cursos presenciais.

Realidade do DF
No Distrito Federal, as duas universidades locais apontadas como oferecedoras da modalidade são a Católica de Brasília (UCB) e Universidade de Brasília (UnB). Nestas instituições, no entanto, os números demonstram que há menos matriculados. De mais de 9,3 mil em 2010, o último levantamento aponta pouco mais de cinco mil em 2012. Ainda não há dados relativos a 2013.

Vale ressaltar que esse número representa as matrículas nas universidades locais, por isso, não mostra, necessariamente, uma queda da procura. Alunos do DF podem se matricular em cursos a distância em centros de ensino de outros estados e, nesse caso, os números são contabilizados para a unidade federativa em questão.

Além das locais UCB e UnB, outras 25 filiais de universidades de fora estão aptas a oferecer essa modalidade de serviço. Existem 102 cursos regularizados à disposição.

Vencendo barreiras
De acordo com Bernadete Cordeiro, diretora de cursos virtuais e a distância da UCB, ainda é preciso combater o preconceito contra o EAD. No entanto, avanços já são vistos. “Cada vez mais diminui o mito de que é uma educação de segundo nível. Temos um decreto que estipula isso”, diz Bernadete.

Legislação garante validade

A educação a distância já é realidade prevista na legislação. Prova disso é o decreto 5.622, de 19 de dezembro de 2005 que define a educação a distância como sendo aquela onde “a aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação”.

Comprometimento
E essa definição é perfeita para Gabriel Igor da Silva, 28 anos. Gerente de projetos, ele optou por cursar gestão em tecnologia da informação para complementar o currículo e não teve dúvidas quando precisou escolher a modalidade. “Como sou comprometido, consigo estudar bem”, elogia.

Para a escolha, Gabriel frisa que três fatores foram decisivos: “Primeiro pela disponibilidade de tempo; segundo porque não tenho mais paciência para sentar em uma cadeira e ver aula; terceiro porque posso estudar de onde eu quiser”, destaca.

Mercado de Trabalho é promissor

Para Angélica Nogueira, gerente de RH da Catho, empresa de colocação no mercado, o preconceito está bem reduzido e as seleções valorizam outras características. “Os profissionais dos cursos a distância são valorizados tanto quanto os formados em cursos exclusivamente presenciais. A especialização é vista de forma positiva pelo mercado”, afirma.

“No entanto, é importante ressaltar que um recrutador, na hora de uma contratação, por exemplo, avalia a formação acadêmica em conjunto com uma série de outros fatores, como a experiência do profissional, suas realizações e características pessoais”, pondera Angélica.

Para a gerente, inclusive, é possível perceber aspectos positivos que essa modalidade de ensino proporciona a quem cursou. “A educação a distancia pode gerar diversos benefícios aos profissionais, como melhor qualidade de vida, ganho no deslocamento, flexibilidade para gerenciar o tempo”, ressalta.

“Além disso, alguns profissionais conseguem desenvolver melhor sua criatividade em um ambiente mais tranqüilo”, destaca.

Flexibilidade como aliada
Para José Ricardo Nóbrega, de 40 anos, a EAD foi uma maneira de perseguir seus sonhos da juventude sem precisar interromper a profissão que desempenha. “Sempre quis fazer Filosofia. Arranjei uma profissão para ganhar dinheiro e disse pra mim mesmo que quando tivesse condições, faria isso. Inclusive, quero ser professor”, revela o analista de sistemas.

A um semestre da conclusão do curso ele garante que, por ter sido a distância, conseguiu até melhor aproveitamento do conteúdo. “Na turma presencial, o professor dá a aula e abre espaço para o debate, que é essencial para a filosofia. A distância, todos os alunos podem interagir de uma forma melhor, mais organizada”, defende. Ele destaca o uso interativo de fóruns virtuais e comunidades em redes sociais como enriquecedores da experiência.

Segundo José Ricardo, ao invés de os estudantes se atropelarem na tentativa de expor a opinião, como acontece dentro de sala de aula, por meio das conversas digitalizadas, é possível ler todos os comentários e debater o assunto com mais cortesia.

Cautela na escolha

Adeptos da modalidade e profissionais que atuam no setor alertam que a cautela é essencial no momento da escolha da instituição, da mesma maneira caso fosse presencial.

O gerente de projetos Gabriel Igor, sentiu na pele as consequências de uma escolha equivocada. Antes de ingressar no curso atual, teve poucos, porém péssimos meses de experiência em outra instituição de ensino.

“Não havia professor, apenas um tutor que não tinha formalidade conosco. Ele mal sabia se comunicar, apesar de ser brasileiro, e nunca sabia nos ajudar”, relembra.

Em função da falta de preparo do docente, ele conta que teve que ajudar os próprios colegas acerca dos assuntos transmitidos. “Tive que dar aula aos meus colegas, pois já tinha certa experiência”, relata.

Aprendizado
Após a experiência mal-sucedida, o estudante persistiu e encontrou um lugar mais adequado, mas espera que outros aprendam com seu erro.

“Sugiro que vejam como as grandes instituições oferecem os serviços, para servir de padrão. Afinal, mesmo com o diploma, ir só por ir e não aprender nada mata todo o propósito do curso, seja presencial ou a distância”, aconselha Gabriel.

Como saber se a instituição está regular

O MEC elaborou um documento de Referências de Qualidades para a Educação Superior a Distância, que dá ao aluno o direito de saber aspectos técnicos do curso em que pretende se matricular. Dados como métodos de ensino, tecnologias usadas, tipo de material didático e quanto tempo o tutor levará para responder a dúvidas devem ser esclarecidos pela universidade de antemão.

Fiscalização
O ministério também é o responsável pela fiscalização e controle de qualidade dos cursos a distância ofertados, e disponibiliza os resultados em sua página na internet. O estudante pode verificar se a instituição em que pretende cursar está credenciada junto ao MEC e saber se ela já foi fiscalizada. A consulta deve ser feita pelo site emec.mec. gov.br.

Para o futuro da EAD, a diretora Bernadete Cordeiro acredita que o perfil de alunos deve ajudar a ampliar o debate. “A maioria dos estudantes está numa faixa etária de 25 a 45 anos. Eles estão em busca do ensino superior, pois ingressaram no mercado de trabalho cedo e não tiveram oportunidade”, avalia.

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