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Brasília

Economia criativa para integrar mulheres une um pouco de cada parte do globo

Arquivo Geral

21/08/2017 6h30

Amanda Karolyne
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Com o intuito de conceder poder e integrar as mulheres brasileiras e imigrantes que moram no Distrito Federal, o projeto Mais Pontes Menos Muros tem como uma de suas ações o Ateliê Mulheres que Inspiram o Mundo. Sediado na Superquadra 313 da Asa Norte, o projeto é coordenado pela Bambuo, coletivo que promove a celebração intercultural pelo direito de migrar. Além do ateliê, o grupo realiza vários eventos para campanhas de impacto social.

De acordo com a coordenadora da iniciativa, Marina Miranda, 27 anos, as ações do Mais Pontes Menos Muros procuram explorar o lado da cultura e da economia criativa dos imigrantes. Com isso, são trabalhados arte, cinema, artesanato, gastronomia, música e design. “Cultura e criatividade são as coisas que vão reafirmar o que essas pessoas são e de onde vieram”, destaca.

A Bambuo tem apoio da Acnur, braço da Organização das Nações Unidas (ONU), e financiamento coletivo. Produtos vendidos nos eventos e ações sociais geram renda para ajudar na construção da autonomia econômica dos imigrantes.

A ideia do Mulheres que Inspiram o mundo é garantir uma troca de experiências entre brasileiras e refugiadas. Marina aponta que o ateliê é aberto para que as mulheres façam oficinas sobre o que se sentirem à vontade para ensinar. “É uma troca de aprendizado horizontal e de empoderamento feminino”, afirma.

Uma oficina sobre plantas e hortas para apartamento é um exemplo de atividade proposta. Além disso, as mulheres já participaram de coach vocal, em que a autoestima é trabalhada com a voz.

Para Marina, esse espaço é importante principalmente ao observar o contexto cultural das refugiadas. Ela lembra que muitas delas dependem do papel masculino. “A dificuldade de integração delas é grande, principalmente as muçulmanas”, aponta.

Serviços
Ação voluntária

O Bambuo dispõe da atuação de voluntários. Uma forma de ingresso para alunos de Comunicação é o Student Change Makers. O programa conta com a ajuda dos estudantes para dar visibilidade às ONGs. Para informações, a página pode ser encontrada no Facebook como Bambuo.

Foto: Ariadne Marçal Marina Miranda,  coordenadora

Foto: Ariadne Marçal
Marina Miranda, coordenadora

Ganhos do intercâmbio cultural
O ateliê une rodas de conversa e oficinas que colaboram para melhor entendimento de outras culturas. A coordenadora cita que, para um dos eventos organizados, moças do Afeganistão precisavam de carona, e o pedido foi postado na internet. “Quem se ofereceu para buscá-las foi um hare krishna”, conta Marina. “Ele ficou preocupado no começo, mas deu certo porque eles interagiram e conheceram um pouco das tradições do outro”, relembra.
Quem aprendeu e também repassou ensinamentos foi a colombiana Matilde Alvarez, 42 anos. Costureira, ela pôde ensinar seu ofício e percebeu que as participantes começaram a aprender.

“É importante que projetos e eventos como estes existam. Assim, nos conhecemos, nos unimos e aprendemos sobre outras culturas”, comenta. Ela acredita que o ateliê seja uma oportunidade para as mulheres imigrantes. “Uma porta que se abre para que elas possam se empoderar”, completa. Matilde está em Brasília há quatro anos.

Edwige Kayi, 43 anos, veio do Congo e mora no DF há cinco anos. Ela também é costureira e vende marmitas nos eventos do projeto. “Mas o Mais Pontes Menos Muros é importante não só para que eu venda meus produtos. Esse contato com a cultura de outros países é essencial”, define.

Foto: Ariadne Marçal Edwige   veio do Congo com a família e está em Brasília há cinco anos

Foto: Ariadne Marçal
Edwige veio do Congo com a família e está em Brasília há cinco anos

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