Após uma denúncia anônima, dois homens foram presos suspeitos de aplicar golpes em estudantes brasileiros de Medicina que buscam a revalidação de seus diplomas. O procedimento é necessário para que certificados de outras nacionalidades tenham validade no Brasil. Com os suspeitos, foram encontrados certificados, documentos, caminhonete e dinheiro. De acordo com a polícia, o grupo também prometia empregos para as vítimas.
Jurandir Pinheiro de Medeiros Junior, 37 anos, e Jorge Martins Junior, 32 anos, foram presos, na terça-feira, no Park Shopping, pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf), divisão da Polícia Civil.
Segundo o delegado-chefe, Jeferson Lisboa, os suspeitos cobravam R$ 50 mil por cada revalidação. O golpe, porém, tinha um diferencial dos demais. “Além do diploma, um importante atrativo era a promessa de um emprego imediato no GDF. Eles diziam que tinham 300 vagas disponíveis, com remuneração em torno de R$ 30 mil”, explicou Lisboa.
Associação médica
Para dar credibilidade ao golpe, Jurandir e Jorge diziam que eram membros da “Associação Médica do Mercosul”, instituição que não existe. Quando perguntados sobre a sede da suposta associação, Jurandir e Jorge davam diversas desculpas. “Afirmavam que estavam de mudança, fazendo reformas, entre outras coisas. Por isso, quando precisavam encontrar as vítimas, marcavam em locais públicos, como na prisão deles”, esclareceu o delegado.
Antes de concluir a revalidação, o aluno precisa fazer um curso. Era quando os suspeitos cobravam uma quantia em torno de R$ 2 mil, mas o procedimento nunca começava. “Eles alegavam que havia poucas pessoas e não fechava turma”, detalha.
Até R$ 100 mil
As vítimas, segundo o delegado-chefe, Jeferson Lisboa, eram estudantes brasileiros de diversas regiões, principalmente do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, que estudavam na Bolívia, onde a dupla tinha contatos e divulgava o falso serviço. “Os estudantes passam o curso juntando dinheiro, pois esse processo pode custar de R$ 50 a R$ 100 mil”, revelou.
“Como fizemos a prisão dos dois na terça-feira, a investigação mais aprofundada vai começar, mas já sabemos de outros dois envolvidos que foram indicados”, contou o delegado. Os dois foragidos, segundo ele, são de Goiânia e do litoral paulista. A Polícia Civil acredita que o grupo atua desde o final do ano passado.
“O aluno deve entrar em contato com o Ministério da Educação, responsável pela revalidação, e, com eles, obter todas as informações para que esse processo seja feito da maneira correta”, alertou o delegado.