O técnico Dunga, da seleção brasileira masculina de futebol, disse hoje que está disposto a continuar à frente da equipe mesmo após o fracasso na tentativa de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim após a derrota de 3 a 0 nas semifinais para a Argentina.
Apesar das críticas da imprensa diante dos maus resultados nas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, e por não ter conquistado o inédito ouro olímpico para o Brasil, Dunga diz se sentir “muito tranqüilo”.
“Estou preparado para continuar. Desde que cheguei aqui vim para fazer o trabalho que estou cumprindo. Espero ficar enquanto tiver saúde”, afirmou o treinador.
Para Dunga, a derrota da terça-feira “faz parte do futebol, pois há momentos de alegria e de tristeza e é necessário conviver com os dois”.
“No futebol sempre queremos o melhor, ser o número um, o máximo possível, mas o torcedor nunca fica satisfeito. O Brasil foi cinco vezes campeão do mundo, mas como falta este ouro, insiste-se em falar dele. Agora parece que não ganhamos cinco Copas do Mundo, que não se tem uma história”, afirmou.
Diante da possibilidade de que a partida de amanhã em Xangai, contra a Bélgica, pela decisão do bronze, seja sua última no comando da seleção, Dunga lembrou que “todos já passaram por esta situação na seleção: quando se perde o treinador é o culpado”.
“Aí é possível ver a importância do futebol no Brasil e no mundo: quando se ganha, fala-se pouco. Já quando se perde, então é uma questão nacional”, afirmou.
O treinador insistiu ainda que os resultados do Brasil não são tão ruins. “Ganhamos a Copa América em 2007 e nos Jogos Olímpicos não conseguimos o ouro, mas vamos tentar o bronze e dar prosseguimento a nosso trabalho”, declarou.
“Não preciso adular ninguém agora, e nunca vou precisar, graças a Deus”, acrescentou, para mostrar que aceitava o resultado dos Jogos com naturalidade. “Na derrota ou na vitória tenho a mesma cara, não muda nada”, disse o técnico antes de afirmar que “o mais importante é ser transparente”.