Assim como a venda dos ovos de Páscoa, parece que o tradicional almoço em família no domingo também não rendeu muito aos comerciantes. Segundo gerentes e proprietários de restaurantes, o consumo no feriado caiu, aproximadamente, 50% se comparado ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, quem saiu de casa para almoçar garante que a opção vale a pena. Especialmente para aqueles que receberam visitas de parentes distantes.
No Parque da Cidade, o restaurante Gibão era uma das opções para quem preferiu sair de casa no dia da Páscoa. Esse foi o caso da família de Vanda Bandeira, de 59 anos. Ela, o marido e a família, todos vindos de São Luís (MA), almoçaram no local para comemorar a data. “Tem meu irmão aqui, sobrinhos e mais sobrinhos. São dez pessoas que vieram agora no feriado”, contou a enfermeira.
O médico Miguel Aragão, de 39 anos, sobrinho de Vanda, comentou que os preços dos restaurantes na cidade estão iguais aos do Maranhão. “Está do mesmo nível”, opinou. Segundo ele, a viagem a Brasília estava planejada há mais de um mês, e todos aproveitaram o passeio. “Está tudo gostoso. A cidade é agradável. Aqui, por exemplo, é um restaurante com parquinho para as crianças. É muito bom”, afirmou.
Apesar da animação da família, porém, a filha do proprietário do Gibão, Eudinice Almeida, de 45 anos, confessa que, no feriado do ano passado, os lucros foram maiores. “No sábado, por exemplo, o movimento foi muito fraco se compararmos com a última Páscoa”, salientou.
Para ela, a sorte é que o restaurante já se firmou como um ponto de encontro entre os brasilienses. “É muito conhecido aqui. E nós fizemos alguns investimentos para melhorar o atendimento. Então, acho que tudo isso faz com que o público ainda procure”, analisou.
Locais lucram menos
Na Asa Sul, no restaurante Moisés, conhecido pela carne de picanha, o movimento tampouco foi o esperado. Segundo o proprietário do estabelecimento, Sebastião Ramos, de 54 anos, “o feriado não foi bom”. “Sexta-feira estava vazio aqui. E não é por causa de viagem. O brasiliense vem mudando os hábitos, economizando mesmo”, salientou. Segundo ele, “os lucros diminuíram pelo menos 50% agora”.
No entanto, na avaliação do gerente do Libanus, também na Asa Sul, o domingo de Páscoa pode ter sido fraco em decorrência das viagens no período. “Muita gente sai da cidade. Em dias normais, a movimentação aqui é a mesma de sempre”, aponta.
Viajando ou não, o fato é que os brasilienses querem, sim, economizar, mesmo com visitas em casa. A família de Lindalva da Silva, de 66 anos, é exemplo disso. Diante da dificuldade de fazer reservas e até mesmo de arranjar um local mais barato para o almoço, as churrasqueiras do Parque da Cidade se tornaram a opção ideal para o emocionante encontro de cinco gerações.
“Desde que me casei, há 46 anos, não via a família toda reunida. E a Páscoa é isso. Vieram meus irmãos de Palmas (TO), meus sobrinhos. Apesar de sermos, os sete irmãos, bem diferentes, nos amamos muito”, disse a aposentada.