Tímida, carismática e com um coração enorme. Assim é dona Hilda Gonçalves, 77 anos. Com quatro filhos, oito netos e três bisnetos, a goiana de Itumbiara (GO) está em Brasília há 39 anos, dos quais 15 deles dedicados a trabalhos voluntários, mostrando que os percalços da vida podem servir para nos tornar pessoas melhores.
A história de Hilda começa em uma fazenda em sua cidade natal. O marido, Mirom, era fazendeiro e passava o dia fora, enquanto ela, na época professora de uma escola rural, trabalhava e cuidava dos filhos.
Um dia, a senhora que na época tinha 33 anos de idade, resolveu que queria estudar e foi fazer supletivo. Dedicada, a estudante terminou o curso em dois anos. Em seguida, começou a graduação em direito. Fez, também, uma pós-graduação na área e administração de empresas.
Vida nova
Após a morte do marido, dona Hilda se viu sozinha, em posse de uma fazenda e com quatro filhos pequenos para criar. Por sorte, nessa época, já tinha concluído o curso de direito e pôde começar a trabalhar na área. Foi então que ela, no auge dos seus 38 anos, resolveu vir para Brasília tentar vida nova. Estabelecida na 107 Sul, dona Hilda prestou dois concursos da área de direito, passou em ambos e assumiu o cargo de advogada geral da União.
Com o passar dos anos, os filhos dela cresceram, se formaram, casaram e também tiveram filhos. Da 107 Sul, dona Hilda se mudou para o endereço atual, na 109 Sul, a apenas duas quadras de onde vivia antes, e se aposentou.
Boas conversas
Mesmo com tantas mudanças, dona Hilda não se esqueceu dos momentos difíceis que viveu e da importância de ajudar o próximo. Pensando nisso, passou a ser voluntária do Lar dos Velhinhos Maria Madalena. Desde então, a aposentada criou o costume de ir até o lar, muitas vezes acompanhada da filha, a terapeuta Patrícia Teixeira, 55 anos, conversar com os velhinhos, ouvir suas histórias, dúvidas, medos e anseios. “Mais do que de roupas e comida eles precisam de apoio emocional, de alguém disposto a lhes dar atenção e a ouvi-los”, comenta.
Cesta básica em vez de presente
Mas as conversas não são o único motivo pelo qual dona Hilda vai até o lar dos velhinhos. “Uma vez por mês, pelo menos, há mais de 15 anos, ela vai até o asilo e oferece um lanche para os velhinhos. Já virou tradição”, conta a filha Patrícia.
Outro costume louvável de dona Hilda é ganhar cestas básicas em vez de presentes em seus aniversários. “Ela sempre pede para amigos e familiares”, entrega a filha. As cestas são distribuídas para quem precisa, aleatoriamente, na rua. Patrícia conta que normalmente elas saem de carro, identificando os necessitados e entregando os mantimentos. “Damos uma volta pela redondeza, passamos por estacionamentos, becos e quando vemos alguém que parece precisar oferecemos a ajuda”, diz.
Kits lembrança
Com a proximidade do Natal, mais uma tradição: os “kits lembrança”. Dona Hilda, Patrícia e quem mais tiver boa vontade de ajudar se reúnem na casa da aposentada e fazem saquinhos, cortados e costurados por elas mesmas, onde colocam presentes, para homens e mulheres, e distribuem para os idosos da casa de acolhimento. “Normalmente fazemos isso no Maria Madalena. Esse ano resolvemos estender para o São Francisco (também no Park Way)”, diz dona Hilda.
Ajude
Quem quiser fazer a diferença, assim como dona Hilda, pode colaborar com um dos lares ajudados por ela, ambos no Park Way:
Lar do Velhinhos Maria Madalena: telefone (61) 3352-0504/ (61) 3352-0872. E-mail: integridade.
instituto@gmail.com
Lar dos Velhinhos São
Francisco de Assis: telefone (61) 3552-0056.