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Brasília

Dois ônibus da empresa São José são incendiados no Recanto das Emas

Arquivo Geral

08/10/2014 8h34

No terceiro dia de greve dos rodoviários da viação São José dois ônibus amanheceram queimados em uma garagem da empresa no Recanto das Emas. A ação ocorreu durante a madrugada desta quarta-feira (8) e equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para conter as chamas por volta das 5h45. No total, 576 coletivos estão parados desde a última segunda-feira (6), afetando cerca de 100 mil passageiros de sete regiões do Distrito Federal.

Os ônibus incendiados pertencem a nova frota de coletivos que entraram em circulação no final de 2013. Segundo a empresa, cada veículo custou cerca de R$ 300 mil, totalizando um prejuízo de mais de R$ 600 mil. O advogado da São José, Carlos Leão, disse que a empresa registrou ocorrência na Polícia Civil do DF, que espera o resultado da perícia para apontar as causas do incêndio. “Não sabemos quem foi, mas vamos tomar as medidas cabíveis”, disse Leão. 

Os carros ficaram destruídos. Segundo o advogado, houve uma grande mobilização para evitar que o prejuízo fosse maior, pois os ônibus incendiados estavam em locais distantes um do outro. Para a polícia, a intenção era atingir mais veículos. Há a suspeita de que tenha sido um ato criminoso, pois foi encontrado um buraco no muro da garagem. No entanto, a corporação ainda não aponta indícios de que ele tenha sido feito para facilitar o crime.

Paralisação

Os mais de 1.500 funcionários da viação São José cruzaram os braços reivindicando o parcelamento do desconto do INSS, Imposto de Renda e taxa sindical. A queixa dos rodoviários foi a falta de comunicação por parte da empresa sobre os impostos que seriam recolhidos de forma retroativa no início de outubro. João Jesus de Oliveira, secretário de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, declarou que alguns funcionários chegaram a receber menos de R$ 100 após os descontos.

Segundo o advogado da empresa, Carlos Leão, os trabalhadores foram avisados com antecedência sobre os valores que seriam debitados após a assinatura do acordo coletivo da categoria. A empresa diz que não houve descontos indevidos. “Os descontos que aconteceram foram por imposição legal”, afirmou.

Em maio deste ano, os rodoviários receberam um reajuste salarial de 20% após o consenso de um acordo coletivo, que teve participação das empresas que possuem concessão no DF, Sindicato dos Rodoviários e governo. De acordo com Leão, o desconto dos impostos não poderia ser feito de imediato, pois o valor ainda não havia sido integralizado ao salário. “Naquele momento, chegou-se ao consenso verbal de pagar o reajuste a título de abono, que é pago de maneira bruta, e não incidem os descontos pertinentes, como INSS, imposto de renda, contribuição sindical e pensão alimentícia”, explicou.

No entanto, as outras empresas que integraram o acordo optaram por recolher o valor dos impostos nos últimos três meses. Segundo o advogado, a decisão pelo desconto de forma retroativa foi feita junto com os funcionários da empresa São José: “Nós deixamos para descontar depois que tudo estivesse regularizado”.

Interferência

Os 576 veículos que estão parados atendem as regiões de Ceilândia, Brazlândia, Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), Vicente Pires e Cidade Estrutural. No início desta semana, o DFTrans afirmou que não pretendia interferir no impasse entre a direção da São José e funcionários. No entanto, a posição do órgão foi mudada nesta quarta-feira (8). Segundo a Secretaria de Transportes, reuniões com representantes das partes envolvidas buscam um acordo, caso não se concretize, o governo afirma que ingressará com ação na Justiça contra a São José e o Sindicato da categoria.

Para tentar minimizar o prejuízo para a população que depende do sistema de transporte público, o DFTrans remanejou para os locais desfalcados veículos de outras empresas e cooperativas que atendem as demais regiões do DF.

Decisão

A São José tentou, por meio de uma liminar, garantir o direito de que 80% da frota de cada linha voltasse a circular, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. No entanto, o pedido foi negado pelo Tribunal Regional do Trabalho. O advogado Carlos Leão disse que o órgão entendeu que a greve não alcançava todo Distrito Federal e apenas usuários de uma empresa foram afetados.

Uma audiência de conciliação entre a empresa e os rodoviários está marcada para esta quinta-feira (8), às 14h30.

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