A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou uma grande operação com o objetivo de identificar suspeitos de pichar prédios públicos no Distrito Federal. Na manhã desta segunda-feira (02/06), a PCDF divulgou o indiciamento de 10 suspeitos por envolvimento em pichações que geraram um prejuízo de mais de R$1 milhão aos cofres públicos.
Após um ano e meio de investigação, a PCDF conseguiu identificar e indiciar membros de dois grupos rivais, responsáveis por pichar diariamente patrimônios públicos e privados no DF. De acordo com o delegado-chefe da 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro), Victor Dan, também foi possível apontar o planejamento de novas pichações. Um dos próximos alvos seria o Congresso Nacional.
“Estavam disputando quem iria pichar o Congresso Nacional. Já havia um planejamento e estavam esperando o melhor momento.”, conta o delegado.
A disputa, segundo o delegado, é para mostrar o grupo que se arrisca mais, em deixar sua marca nos diversos locais da cidade. O risco era medido pela possibilidade de serem flagrados praticando o ato, tanto pelas chegada da polícia quanto do proprietário do local.
Ainda segundo apurações, os pichadores monitoravam o andamento de obras até que estivessem finalizadas, para ir lá e deixar sua marca.
“Ao terminar a obra no dia seguinte iriam pichar”, destacou Victor Dan.
Durante a operação policial, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas localidades do DF. Foram apreendidos celulares, computadores e materiais utilizados para praticar o crime.
Parte dos envolvidos possui passagens anteriores por tráfico de drogas. Os alvos da operação serão indiciados por crimes contra o patrimônio, o meio ambiente e urbano e associação criminosa.
A ação dos pichadores
Os grupos são responsáveis por pichações em monumentos importantes, como a Ponte JK, e áreas que pertencem ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), Catedral de Brasília e Senado Federal. As investigações apontaram a existência de dois grupos que competem entre si, denominados LUA (Legião Unida pela Arte) e Grafiteiros Sem Lei (GSL).
Os principais alvos da operação, apontados como os “cabeças” das gangues de pichadores da República, foram identificadas como Juliano Santos de Matos, o “Arobek”; Jhonson da Silva Neres, o “ROT”; e Paulo Micael do Nascimento Silveira, o “Kadaf”.
Os pichadores deixavam suas “assinaturas” em pontos da Esplanada dos Ministérios, nos pilares de sustentação da Ponte JK, além de estruturas próximas à Catedral de Brasília e em viadutos e túneis inaugurados há pouco tempo pelo governo do DF.
O grupo LUA (Legião Unida pela Arte) existe desde 1999, com membros não só no DF, como em Goiânia e São Paulo. Eles publicam em seu perfil, com mais 8 mil seguidores nas redes sociais, vídeos e fotos dos locais pichados.