A diferença salarial entre homens e mulheres no Distrito Federal recuou 1,08% em 2024, conforme o 3º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgado neste mês. Mas a desigualdade ainda é alta. Em 2023, homens recebiam 11,05% a mais que as mulheres, enquanto que no ano passado a discrepância era de 9,97%.
De acordo com o relatório, a média salarial de mulheres no DF é de R$5.656,33 contra R$6.282,81 dos homens. Outro fator observado foi a desigualdade salarial de 42,9% entre mulheres negras e não negras. Em média, mulheres negras ganham R$4.292,33 e mulheres não negras recebem R$7.523,23. A diferença salarial da capital federal ficou abaixo da nacional, que a discrepância ficou em 20,9%, com um aumento de 0,18% desde o último relatório.
Em comparação com as outras Unidades da Federação, o DF está entre as UFs com as menores diferenças salariais, atrás de Pernambuco (9,14%) e Acre (9,86%). Na outra ponta, estão os estados do Paraná (28,54%), Espírito Santo (28,53%), Santa Catarina (27,96%) e Rio de Janeiro (27,82%).
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, explica os motivos que levaram ao recuo da disparidade salarial entre homens e mulheres no DF. “Houve aumento do número de empresas e de mulheres empregadas. Houve melhora na remuneração média das mulheres que atuam na gerência e direção, recebiam 73,2% e passaram para 76,8% do que recebem os homens”, ressaltou.
“Além da melhora da remuneração das profissionais em ocupações de nível superior de 69,5% para 82,1%, das que estão em ocupações técnicas de nível médio de 66,9% para 80,7% e das que atuam nas ocupações de nível operacional de 66,6% para 69,2%, superando a redução observada nos serviços administrativos de 79,9% para 68,7%”, acrescentou Paula.
Os dados não levam em conta os empregados do setor público e outro fator que influenciou o recuo no DF foi o fato de ser um território menor com empresas mais jovens que buscam reter a mão de obra na região oferecendo salários um pouco maiores, além de mais emprego no setor de serviços, onde tem muitas mulheres.
Para Paula, o caminho para a igualdade salarial é “divulgar as informações e as boas práticas de empresas em que há mais diversidade com mulheres, mulheres negras, indígenas, com deficiência, chefes de domicílio e LBTQIA+ para assim criar boas práticas que podem ser divulgadas e conhecidas por todo tipo de empresa independente do setor de atividade ou tamanho”, comentou.
“Acreditamos também que todos devem se engajar no Movimento pela Igualdade Salarial e assim criar uma onda positiva na direção da maior presença de mulheres em todo tipo de atividade e qualificação profissional, nas áreas de direção e gerência, enfim onde elas quiserem estar”, concluiu Paula.
O Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios usa como base os dados do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024. São disponibilizados dois relatórios por ano para analisar o cenário salarial entre homens e mulheres, sendo o último divulgado este mês referente ao ano passado. No DF, foram pesquisados 1.067 estabalecimentos.