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Brasília

Diferença da remuneração entre os setores privado e público é o que aumenta disparidade na capital

Arquivo Geral

17/01/2013 10h55

Patrícia Fernandes

Especial para o Jornal de Brasília

 

 

Rica e desigual. De um lado, prédios luxuosos. Do outro, casas improvisadas em condições precárias. Essa é a realidade da capital federal. Estudo da Companhia de Planejamento (Codeplan) mostra  que o Distrito Federal é a Unidade da Federação de maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita, maior renda domiciliar per capita e maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Apesar dos excelentes indicadores, o DF também vem ganhando destaque com a pior distribuição de renda do País. 

 

Um dos motivos dessa acentuada desigualdade é a disparidade entre a remuneração do setor público e a das demais ocupações, que abrangem profissionais do setor privado, autônomos e empregadores. Atualmente, 22,14% dos moradores do DF estão empregados no setor público e 77,86% fazem parte das demais ocupações. Entretanto, no setor público, apenas 7,8% dos assalariados contam com renda mensal até dois salários-mínimos (R$ 1.356), enquanto nas demais ocupações esse índice chega a 63%.

 

De acordo com o presidente da Codeplan, Julio Miragaya, a desigualdade também é expressiva no aspecto espacial. “Os assalariados do setor público estão concentrados num grupo de dez regiões administrativas de renda elevada”, explica (veja quadro ao lado). Julio afirma que os profissionais do setor público representam 40% dos moradores das cidades de alta renda do DF.

 

Oportunidades que fazem a diferença

A renda média no funcionalismo público do DF é de R$ 5.092, enquanto os demais assalariados ganham em média R$ 1.560. Do lado mais abastado deste cenário está o jovem advogado Fernando Vazolla de Migueli, de 31 anos. Concursado há sete anos pela Advocacia Geral da União (AGU), Fernando vem de uma família formada por funcionários públicos e sempre contou com o apoio de todos para estudar. Antes mesmo de concluir a graduação em Direito, ele já sabia que o seu futuro estava na iniciativa pública.

 

Segundo Fernando, a decisão é fruto do seu desejo por uma rotina estável e tranquila. “Minhas metas sempre foram a estabilidade, a segurança e a tranquilidade. Sei que não vou ser rico na iniciativa pública, mas a minha meta é a qualidade de vida”, destaca.

 

O advogado acredita que o aspecto social pode influenciar na ascensão profissional. “Tive o privilégio de ter condições de ficar apenas estudando para concursos durante um ano. Sei que isso me beneficiou muito. O rendimento de quem precisa conciliar os estudos com o trabalho acaba sendo prejudicado”.

 

Natural de São Paulo, Fernando ressalta que Brasília possui um custo de vida elevado e garantir a qualidade de vida exige uma boa remuneração. “Tudo aqui é caro. Os serviços como alimentação e lavanderia, por exemplo, têm valores altíssimos”, observa.

 

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