“Ensinar é muito mais do que transmitir um conhecimento. É acreditar no potencial de cada criança, inclusive quando ela não consegue enxergar que ela tem esse potencial”, afirmou a professora Thais Nery. Hoje, 5 de outubro, é comemorado o Dia Mundial dos Professores, uma data para celebrar a forma como os professores transformam a educação, mas também para refletir sobre o apoio que precisam para desenvolver plenamente sua vocação.
Professora da rede pública há 3 anos, mas com trajetória em monitoria nas escolas, Thais, de 38 anos, conversou com o Jornal de Brasília sobre as belezas e os desafios da profissão. Ela contou que escolheu a sala de aula justamente na época em que foi aluna. “Uma professora que eu admirava muito no primeiro ano fez com que eu olhasse para a educação como uma profissão. Com o passar do tempo, eu vi que a educação pode sim ser transformadora na vida de uma pessoa. A minha trajetória começou assim, através de uma educadora que era apaixonada por alfabetizar, por ensinar, e isso fez com que nascesse um sentimento em mim de ser também professora”, comentou.
Formada em História e Pedagogia, hoje Thais trabalha com alunos de 6 a 7 anos de idade do Centro Educacional 06 (CED 06) do Gama. A professora afirmou que se sente realizada profissionalmente e orgulhosa da profissão que exerce, mas não esconde que os professores enfrentam desafios enormes todos os dias para conseguir entregar um ensino de qualidade para milhões de crianças e adolescentes.
“Um desafio muito grande na educação, principalmente na alfabetização, é que hoje o mundo é tecnológico, não tem como não falarmos em tecnologia com educação e isso se reflete na sala de aula. Os alunos, eles são totalmente tecnológicos. Os meus alunos sabem mexer no celular melhor do que eu, e isso é um desafio. Como eu posso prender a atenção desse estudante em um mundo tão informatizado, onde tudo é tão rápido que com um dedo na tela eles conseguem ter acesso a milhões de informações?”, destacou Thais.
Além da mudança no perfil dos estudantes, outro desafio segundo ela passa pela valorização do profissional. “É muito fácil, às vezes, nós olharmos e falar que tal professor ou escola não conseguiu alfabetizar o aluno no primeiro ou no segundo ano. Mas que estrutura têm aquelas condições de trabalho? Nem sempre são as adequadas. Nós temos que nos reinventar todos os dias”, relatou. Também por conta disso e de outros fatores, passou a ser um grande desafio também a inclusão.
“Existem milhões de crianças que têm dificuldade de aprender e não é porque um é melhor do que o outro. É porque cada um tem o seu ritmo de aprendizado. Cada um segue um um caminho. E a gente tem que respeitar isso, mas dentro de uma sala de aula, você lidar com esses ritmos é um desafio, porque você não tem quem te ajude, que fique ali com o professor dentro da sala de aula. Aquele é o seu universo. E neste universo às vezes a gente se frustra, porque a gente não consegue alcançar todos e é normal”, disse a professora.
Apesar disso, Thais sente que pode fazer a diferença quando entra em sala de aula. “Eu tenho alunos de outros anos que eu dei aula que são apaixonados por mim e você sabe que a criança é verdadeira. Isso não tem preço, a gente vê que o nosso trabalho está sendo reconhecido. Eu não preciso que as pessoas reconheçam o meu trabalho. Eu quero que as crianças reconheçam, eu quero que quando elas cresçam, falem: ‘eu tive uma professora que fez a diferença na minha vida”, contou.
“Que nunca percamos de vista que valorizar o professor também é investir no futuro das nossas crianças. E ser professora é saber que todos os dias nós temos que plantar uma semente na vida de uma criança. Talvez a gente não acompanhe todos os frutos no decorrer dos anos, mas saber que participou de uma fase tão importante é muito especial. Ensinar, ele é muito mais do que transmitir um conhecimento é acreditar no potencial de cada criança, inclusive quando ela não consegue enxergar que ela tem esse potencial. Ensinar vai muito além da sala de aula, é sobre realmente buscar mudança no futuro, porque aquelas crianças são o nosso futuro. Um dia eu serei idosa e eu não conseguirei mais fazer esse trabalho, mas uma delas fará esse trabalho por mim. Essa é a continuidade”, completou a professora.