Francisco Dutra
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“Educação em Brasília e no Brasil deveria fechar para balanço. Está tudo errado. E sou pessimista em todos os níveis. Não vejo sinais perspectiva alguma de mudança a curto, médio e longo prazo. Infelizmente o que está ruim deverá piorar”, provoca o doutor em psicologia da aprendizagem do Instituto Expert Brasil, Afonso Galvão. Neste Dia do Professor, o especialista aponta graves falhas no modelo de ensino dos alunos e na formação e atualização dos educadores.
Segundo o especialista a sala de aula no DF ainda está enraizada no século 19, presa ao lema da bandeira brasileira de “Ordem e Progresso”, em um currículo escolar positivista e com tons militares. “O aluno não é tratado do ponto de vista da sua individualidade. Ele é massificado”, alerta Galvão. Neste sentido, um ponto nefrálgico é deficiência crescente na formação dos professores.
Segundo o especialista, a má formação começa pela deficiência das bases filosóficas dos professores. Além disso, os futuros docentes não são devidamente capacitados para a elaborar conteúdos de sala de aula. Os professores também não recebem elementos necessários para a produção de conteúdos levando em consideração as diferenças psicológicas de cada faixa etária.
Repetição versus pesquisa
“O aprendizado no Brasil está vinculado à transmissão do conhecimento cobrada em provas. Este sistema já está ultrapassado. Em países com educação de ponta como Canadá e Finlândia, o aprendizado está sendo construído sobre a pesquisa, no modelo de sala de aula invertida. Os alunos são estimulados para trabalhos coletivos, dentro de experiências para resolver problemas. O estudante não decora e repete uma equação. Ela é apresentada à ele para a solução de um problema”, explica.
Segundo o pesquisador, apreender é resolver problemas, ensinar é dar feedback. Ou seja, cabe ao educador avaliar as propostas de solução dos alunos destacando os acertos e apontando as correções para as falhas. Neste modelo, o ritmo e o tempo de aprendizado de cada aluno é respeitado. Ao contrário do modelo atual, onde todos são forçados a aprender os mesmos temas simultaneamente.
Em busca de autores e produtores
Por outro ponto de vista, Galvão considera que o modelo curricular ideal forma autores e produtores de conhecimento e não apenas leitores e reprodutores de ideias fechadas. Nesta questão, o especialista ressalta que apesar dos recursos abundantes as escolas particulares, em geral, se transformaram em grandes cursinhos preparatórios para o acesso às universidades, com conteúdos massacrantes para professores e alunos que servem apenas para provas e não tem ligação alguma com o cotidiano.
Com relação às condições estruturantes das escolas públicas, o especialista questiona a diferença de prioridades dos governos. Enquanto, o Estado, direta e indiretamente, busca excelência em agências bancárias, colégios ficam sem o devido apoio. Para o especialista, as instituições públicas apresentam um ambiente educacional nocivo desprovido de ferramentas educacionais clássicas, como um giz de cerra, e instrumentos contemporâneos fundamentais, como conexão com internet em sala de aula.
“Hoje é difícil dizer que se é professor com muito orgulho. A mais sagrada das profissões está com um baixíssimo reconhecimento. Ser professor no Brasil é um dos maiores desafios que existe”, afirmou Galvão.
Governo defende currículo atual
Confira a posição da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) na íntegra: “O DF segue a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ou seja, o currículo é semelhante ao aplicado nos outros estados, por obrigação legal e para se encaixar nos processos de inserção das universidades brasileiras. A SEEDF tem conhecimento de estudos que mostram que, em outros países, as salas de aula possuem maior ou igual número de estudantes que os registrados aqui, portanto, o quantitativo não é necessariamente um dificultador ao ensino. A Secretaria reconhece a importância da tecnologia no auxílio ao aprendizado e no aumento do interesse dos estudantes pelas disciplinas. Por estes motivos, incentiva que as unidades escolares usem cada vez mais computadores, sistemas e até jogos interativos como instrumentos de auxílio ao ensino”.
Dia do professor: Falhas na formação de educadores e produção de currículos enfraquecem ensino
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