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Brasília

Dia do Gari: histórias por trás de cada uniforme

Arquivo Geral

16/05/2014 7h37

Seu trabalho é indispensável para qualquer cidade. Sem eles, o lixo se acumula e as doenças proliferam na mesma velocidade do mau cheiro. Mesmo assim, os varredores e coletores, mais conhecidos como garis, são     desvalorizados e desrespeitados por muita gente. E apesar do uniforme chamativo, parecem invisíveis no meio da multidão.

De acordo com o Serviço de Limpeza Urbana   (SLU), há 4,8 mil garis no DF, que trabalham com missões específicas:  os varredores juntam o lixo e  colocam em sacos;  na sequência, os coletores – que circulam nos caminhões – recolhem os sacos e levam até o SLU. Lá, o lixo é despejado na usina e catadores fazem a separação dos resíduos.

Assim é a rotina do varredor Raimundo Rosa,   35 anos. Ele pega no batente às 7h e volta somente às 15h30 para o galpão do SLU. “Trabalhamos debaixo do sol, com roupas quentes, e ainda temos que aguentar a falta de educação de algumas pessoas. Muitas vezes, quando fechamos as vias para fazer algum trabalho, os motoristas reclamam e nos xingam. Apesar de útil, nossa profissão ainda é muito desvalorizada”, lamenta. 

Ainda assim, Raimundo tem orgulho do que faz. Ele gosta tanto,  que indicou a família   para a mesma  função. “Apesar das chateações, é muito bom ser gari. Sei da utilidade e importância do meu trabalho para a sociedade”. 

Preconceito

A mulher de Raimundo, Alciene Gomes,   31 anos, também desabafa: “Sustentamos nossos filhos com esse trabalho e me orgulho disso, mas ainda sento a discriminação. Vou uniformizada a qualquer lugar e às vezes sou mal atendida nas lojas. Depois, se volto com uma roupa diferente, a recepção é outra. As pessoas também não querem sentar ao meu lado nos ônibus, mas eu não ligo. O pior é quando almoçamos em espaços públicos e as pessoas quase passam por cima da gente, parecemos invisíveis”. 

Sua cunhada, Maria Rosa, 39 anos, concorda. “Sem dúvida falta respeito. Mas sempre quis  trabalhar com isso e me sinto realizada na profissão. É tão bom que indicamos os parentes. Hoje têm sete membros da nossa família trabalhando aqui. Aliás, a equipe de garis é cheia de famílias”, diz.

Instrumento

Enquanto estão de uniforme, eles ajudam na conservação da cidade, previnem alagamentos e preservam os recursos naturais, como o Lago Paranoá. Mas, quando deixam a roupa verde e laranja no fim do expediente, muitos assumem uma nova missão. No caso de Paulo Sérgio Bispo, de 37 anos,  as vassouras são trocadas por instrumentos musicais.

Paulo é regente do Grupo de Percussão Raízes. A banda é formada por jovens de comunidades carentes do Paranoá, capacitados por meio do projeto tocado por Santos e seus parceiros há mais de 20 anos. “Começamos em Salvador (BA). Depois viemos conhecer Brasília e resolvemos ficar. Ensinamos os jovens a tocar  bateria e damos lições sobre ritmo e marcação”, descreve o voluntário, que não tem  apoio do governo. O auxílio, porém,   seria muito bem-vindo, ele reforça.

“Nossa intenção é dar uma ocupação a crianças e jovens carentes para que eles se afastem das ruas e das drogas. Muitos alunos se tornaram músicos e até abriram lojas de instrumentos musicais”, conta. 

Sobre a profissão,  Paulo desabafa: “Muita gente não valoriza. Quero respeito como qualquer  profissional”.

Passeio

Paulo vai comemorar o Dia do Gari com 50  varredores e coletores da empresa Sustentare, responsável pela limpeza de 17 cidades do DF. Eles  vão desfrutar de um   café da manhã a bordo de um barco no Lago Paranoá. No passeio, que partirá da Concha Acústica até a Barragem do Paranoá, o grupo vai receber lições sobre a história de Brasília e, principalmente, sobre a importância do seu trabalho para a preservação do Lago. As aulas falarão sobre a necessidade do recolhimento do lixo para evitar o assoreamento   e como os detritos podem contaminar a água.

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