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Dia do farmacêutico: profissional está cada vez mais próximo à população

Voltando à tradição do contato direto com pacientes, na pandemia, os profissionais se dedicaram também no combate à desinformação

Fotos: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Por Vítor Mendonça
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“Tenha um farmacêutico para chamar de seu”, sugeriu a profissional Karla Guedes, de 46 anos, sobre a importância do acompanhamento do especialista na saúde da população. Hoje, é comemorado o Dia Nacional do Farmacêutico, responsável por auxiliar não só no combate à pandemia da covid-19 nestes quase dois anos da doença, na linha de frente, como também é aquele que presta o serviço de atenção básica ao bem estar de muitos pacientes.

Durante a pandemia da covid-19, foram contabilizados 12 profissionais no Distrito Federal que perderam a vida para a doença que já vitimou mais de 10 mil moradores da capital. O dia de hoje é também uma forma de honrar a memória dos que faleceram no combate ao novo coronavírus, de acordo com a Conselheira Federal de Farmácia do DF (CRF/DF) e doutora em ciências médicas, Gilcilene Chaer.

Essencial no cuidado primário de doenças, a profissão farmacêutica é milenar. A prática de extrair substâncias medicinais a partir de plantas já era feita há mais de dois mil anos nos países orientais, e se desenvolveu ao longo dos séculos. Com tanta tecnologia, a função do profissional passou a ser, em grande parte, impessoal nos estabelecimentos, perdendo a principal característica de acompanhamento.

Por outro lado, conforme conta a farmacêutica e responsável técnica na Farmaclínica, no Núcleo Bandeirante, Karla Guedes, o especialista tem sido visto novamente como um aliado próximo à população, principalmente na Região Administrativa onde ela atende. “A cidade tem essa característica bairrista, então o farmacêutico está voltando a ter um contato maior com os clientes. É o profissional de saúde mais acessível que se tem. A farmácia é a porta de entrada do SUS [Sistema Único de Saúde]”, destacou.

De acordo com ela, um dos elementos mais importantes dados à população durante a pandemia não foi apenas remédios, mas conhecimento para combater desinformações. “Tivemos uma acessibilidade muito positiva. Como era tudo muito novo para todo mundo, a educação em saúde foi essencial. A presença do farmacêutico não é só burocrática, mas também educacional”, afirmou.

“Com isso ajudamos a amenizar reações adversas com medicamentos [tomados sem prescrição médica], contribuindo com o SUS. Fizemos, muitas vezes, esse papel de desafogar as unidades de saúde”, completou a especialista. “O encaminhamento ao médico com o relatório do paciente é uma das nossas funções. Não diagnosticamos, mas orientamos para evitar que o paciente adoeça, de forma preventiva.”

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Segundo a profissional, outra mudança tem acontecido: o investimento em serviços de saúde, sendo o farmacêutico também responsável por fazer uma triagem dos pacientes que vão aos hospitais. Quando chegam à unidade de saúde, já possuem em mãos um documento que ateste o pré-atendimento feito na farmácia. “Não é um diagnóstico, porque não é nossa função”, reforçou Karla. “Não entramos no lugar das outras profissões, mas fazemos uma força conjunta.”

Assim acontece na Farmaclínica, onde trabalha, com dois consultórios estruturados especialmente para o atendimento do paciente com mais privacidade e com mais condições de utilizar os recursos disponíveis no estabelecimento, como o aferidor de pressão, aparelho para medir insulina, entre outros.

História de amor e tradicionalidade

Apesar de Karla ser farmacêutica desde 2008, o contato com a profissão começou há quase 20 anos, quando conheceu o marido, Cristiano Guedes, em 1993, cuja família já tinha tradição com a farmácia desde 1910. Foi neste ano, há mais de um século, que o avô de Cristiano, Bráulio Guedes, ingressou na carreira como farmacêutico. Desde então, a profissão continuou presente na família.

Influenciada no relacionamento pela história da família do parceiro, Karla criou gosto pelo ambiente da drogaria e começou a trabalhar na loja que fora do sogro, Edson Guedes, que não era farmacêutico, mas que herdou o interesse pela farmácia do patriarca Bráulio e instalou um estabelecimento na capital nos primórdios da cidade. Cristiano seguiu os mesmos passos do pai e se formou na profissão junto com Karla, há 14 anos, continuando a tradição.

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Edson Guedes foi um dos primeiros farmacêuticos de Brasília, chegando à capital em 1957 e instalando os serviços farmacêuticos no início da década de 60, justamente na mesma cidade onde está localizada a atual farmácia de Karla, no Núcleo Bandeirante – a “Cidade Livre” à época.

De acordo com Cristiano, que mais tarde se formou em medicina e agora atua como médico no DF, fazendo uma analogia ao atual momento da pandemia, o avô faleceu em decorrência do serviço prestado nas farmácias de atendimento à população no combate ao surto de febre amarela, na região de Abadia dos Dourados, no Triângulo Mineiro, na década de 40.

“É o que me motiva a seguir na profissão da saúde, esse testemunho do meu avô, do meu pai e de dois dos meus tios que eram farmacêuticos”, contou Cristiano. É este auxílio à sociedade que também motiva Karla todos os dias. “Essa área da saúde, de cuidar das pessoas, é amor”, declarou.

“O espaço e o ambiente da drogaria têm que ser melhor aproveitados. É preciso oferecer cada vez mais cuidado ao paciente. E tangencial a isso, é prestarmos o serviço e a orientação”, completou. “O farmacêutico pode ir além, trazer essa mudança de paradigma. Tudo isso requer estudos e investimentos em conhecimento. O profissional valorizado é o que fica na memória do paciente.”

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Orgulhosa da profissão, ela destaca que ao longo do tempo, se gera fidelidade com o serviço, principalmente para quem não tem planos de saúde e precisa recorrer ao SUS, muitas vezes com atendimento lotado, com hospitais e ambulatórios cheios. Nesse contexto, o farmacêutico é requisitado, segundo Karla.

“O reconhecimento vem na fala dos pacientes. Aquele que retorna e te dá um feedback. O prazer acontece nesse retorno, mostrando a possibilidade de intervir positivamente na vida de um paciente”, apontou.

Karla declarou a felicitação aos colegas neste dia: “Parabenizo em primeiro lugar pela escolha da profissão, que só pode ser feita com o amor de cuidar. Vocês são guerreiros. São investimentos muito grandes para se ter conhecimento – não é uma profissão simples em nenhum segmento. […] Parabéns a todos os colegas que se arriscaram e dedicaram todo o amor e cuidado a comunidade”, disse. Ela acrescenta também “o agradecimento aos colegas que perderam a vida no exercício da profissão”.

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