
Chico Xavier associou as boas ações à possibilidade de crescimento próprio e, ontem, no Parque da Cidade, mais de dez mil pessoas puderam vivenciar isso. O Dia das Boas Ações reuniu mais de 15 organizações não-governamentais (ONGs) e 120 expositores, promoveu debates, workshops, fez refletir e recrutou voluntários para doar um pouco do tempo e talento. No palco principal, refugiados de guerra ganharam bicicletas.
As 34 bicicletas são usadas. Foram doadas, consertadas e entregues pelo grupo Rodas da Paz para estrangeiros de países como Congo, Paquistão, Síria e Colômbia que moram em Brasília. O projeto é feito em parceria com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e com o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), que auxilia os migrantes. De acordo com Raphael Barros, coordenador da ONG, a ideia é que o transporte acessível seja usado.
Maranhense, Ivan Lins desembarcou em Brasília aos seis anos. Aos 13, conheceu a rua como moradia. Por três anos, foi viciado em crack. Hoje, aos 23, aprendeu funções e pretende alugar um local em Planaltina. Ele participa de ações artísticas, sociais e ambientais para pessoas em situação de rua, promovidas pela ONG Equinócios, financiada pelo Fundo de Apoio à Cultura.
“Acabei descobrindo que há formas de ocupar a mente na rua e que a rua também oferece coisa boa”, constatou Ivan Lins. Ele participa de todos os projetos da ONG no Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua, conhecido como Centro POP Brasília. “A gente fica o dia inteiro ocupado”, explica. Manejamento e cultivo de plantas, arte urbana, aula de capoeira e de grafite são algumas das ocupações do morador do Setor Bancário Norte.
O evento para comemorar boas ações foi criado em 2007 em Israel. Desde então, se tornou destaque de mobilização no mundo. Neste ano, o Brasil foi escolhido como sede do evento na América Latina, coordenado pelo Atados, rede social gratuita que conecta voluntários a boas causas. Coordenadora da ação, Ludymilla Mendes, explica que a proposta é proporcionar a valorização do terceiro setor e engajar o maior número de pessoas nas causas sociais.
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Durante o dia, debates sobre profissões sociais e economia colaborativa encheram as cadeiras dos estandes. Workshops de reaproveitamento de alimentos, sobre grafite em bicicletas e como criar uma horta urbana também se destacaram.
O evento ocorreu simultaneamente em 74 países. ONGs, instituições e pessoas físicas inscreveram suas ideias no site do projeto Atados e convocaram voluntários. Mais de 200 ações foram colocadas em prática, que aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de em Brasília.
Ao todo, foram três dias de boas ações. Na última sexta-feira, o foco foram os atos educativos e informativos. No último sábado, as organizações e projetos sociais abriram suas portas para o público. Ontem, o fechamento da iniciativa reuniu todos no mesmo espaço.
Números
No mundo: 74 países participantes
No Brasil: 40 cidades envolvidas
10 mil voluntários mobilizados no DF
40 mil pessoas impactadas no País
15 organizações não-governamentais engajadas na capital
120 expositores participantes no Parque da Cidade
Participantes se engajam nas atividades
Enquanto pesquisas feitas pela Organização das Nações Unidas (ONU) mostram que apenas 11% dos brasileiros doam parte do seu tempo para ajudar alguém, o Dia das Boas Ações promoveu reflexão.
A aposentada Marilda Rosa, de 73 anos, dá cesta básica para pessoas de rua, oferece alimentos, roupas e ajuda quem precisa quando tem condições. Para sua filha, Mary Rosa, de 49 anos, a iniciativa promove o bem.
Mobilização
“Esse tipo de evento grande mobiliza. Vi no site até um link para ser voluntária. Pensei em fazer, mas não sei o que faria com as crianças”, disse a designer Aline Pinna, de 37 anos, que esteve com toda a sua família no evento de ontem, conheceu projetos e fez atividades.
Aline diz que ajuda naturalmente quem precisa. “Não faço nada que me falte. Dou o que eu posso”, explica a designer.