Um crime cada vez mais comum em outras unidades da Federação e na Região Metropolitana do Distrito Federal surge entre as ocorrências policiais registradas na capital: a explosão de caixas eletrônicos. Neste ano, até agora, são pelo menos dois casos. O primeiro foi em um posto de combustíveis da 409 Norte, em fevereiro, e o mais recente, ontem, em Sobradinho. Ambos ocorreram durante a madrugada.
A situação de um terminal bancário perto da rodoviária de Sobradinho denunciava que o local tinha sido alvo de um atentado: uma parte da parede cedeu, estilhaços de vidro ficaram espalhados pelo estacionamento e as lojas vizinhas foram atingidas. Apesar do estrago aparente, dos três terminais, apenas um foi arrombado e a estrutura do prédio não foi afetada.
Diferentemente do caso da Asa Norte, em que os ladrões fugiram sem levar nada, desta vez o banco teve prejuízo financeiro – o valor não foi informado até o fechamento desta edição. A polícia segue as buscas pelos autores do crime.
Barulho
A explosão repercutiu entre os trabalhadores das proximidades. Um funcionário de uma loja 24h escutou o barulho, mas, em um primeiro momento, pensou que não era nada grave. “O ruído foi muito abafado. Não me preocupei, pois é normal meninos brincarem por aqui, foi um estrondo seco”, relata.
Segundo um policial militar, uma pessoa relatou que avistou dois homens portando arma de fogo, próximo ao banco. Eles teriam deixado o local em um Fiat Palio.
O mototaxista José Rodolfo, 28, trabalhou durante a noite e contou que, por volta das 23h, a polícia fez abordagens em frente ao banco. “Uma viatura passou por ali e quatro pessoas foram revistadas”, diz.
Dinamite
A Polícia Federal (PF) foi acionada para investigar o caso, pois se trata de uma agência bancária federal. Segundo informações preliminares dos agentes que estavam no local do crime, há indícios de que os bandidos utilizaram dinamite. A venda do explosivo é controlada pelo Exército por meio de um cadastro de compradores.
Prejuízo a comerciante
Dono de uma pastelaria que fica ao lado do terminal bancário, Antônio da Guarda, 49 anos, teve prejuízo com a explosão, além de um grande susto. “O alarme disparou às 4h40, liguei para a polícia e me informaram da explosão. Corri até a pastelaria e me deparei com tudo destruído. A parede estava trincada, o teto desmoronou, as prateleiras quebraram e o meu depósito está interditado”, relata.
O estabelecimento terá de ficar fechado para passar por reforma, o que indica que haverá mais prejuízo pela frente. São cerca de 500 clientes por dia.
A Defesa Civil avaliou as condições da edificação. “A explosão não afetou a estrutura do prédio. Apenas um pilar precisa ser recuperado, mas nada grave”, diz o arquiteto Luiz Antônio Alves.
Procurada, a Caixa Econômica declarou que colabora com a investigação e que “informações sobre os eventos criminosos são repassadas exclusivamente às autoridades”.
Versão oficial
Apesar de a outra ocorrência parecida ter sido noticiada pela imprensa em fevereiro, segundo a Secretaria de Segurança, neste ano não houve outro crime deste tipo no DF, apenas na Região Me- tropolitana. “Constam nos bancos de dados da Polícia Civil duas ocorrências onde o meio utilizado foi a explosão de caixa eletrônico. Uma em Águas Lindas (GO) e outra em Vila Boa, nas proximi- dades de Formosa (GO)”, informa.