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Brasília

DF registra quatro casos de feminicídio em menos de um mês

Arquivo Geral

08/04/2016 10h04

Edinalva Cardoso da Silva, 47 anos, morreu nos braços da filha, nesta sexta (8), vítima de feminícido, em Sobradinho. Esse é o quarto caso registrado no Distrito Federal em menos de um mês. Segundo testemunhas, por volta das 5h, foi possível ouvir gritos de uma rotineira discussão entre o casal, juntos há 19 anos. Pouco tempo depois, ecoou nas ruas da quadra 3 o pedido de ajuda da jovem, de 17 anos, que havia acabado de perder a mãe. 

De acordo com a Polícia Civil, ainda não se sabe o que provocou a morte da professora aposentada, mãe de dois filhos. Após o crime, Misael Willian Matos, 43 anos, fugiu e foi localizado, cerca de 4 horas depois, em um bar próximo à residência do casal. Na delegacia, ele confessou a autoria. 

O irmão de Edinalva, Marciel Cardoso, de 35 anos, disse que o cunhado sofre de problemas com drogas e álcool e que a família tentou, várias vezes, pedir para a vítima se separar. “Ela sempre foi muito esforçada e trabalhadora. Apesar do relacionamento conturbado deles, Edinalva o perdoava sempre e dizia que ele precisava de ajuda”, detalhou. Marciel, que disse ainda esperar que a justiça seja feita. “Esse tipo de crime é uma banalização não só contra a mulher, mas contra a vida humana. Quero que ele pague pelo que cometeu”, desabafou. 

O delegado responsável pelo caso, André Victor, disse que o crime foi um desfecho trágico, ocasionado pela relação conflituosa entre os dois. “Nós iremos fazer um exame de sanidade mental no suspeito e ele permanecerá preso até o julgamento”, informou. 

Agressões eram rotineiras

Ainda de acordo com André Victor, Misael foi autuado por embriaguez ao volante no dia 4 de janeiro. Na ocasião, a polícia encontrou um litro de pinga no automóvel dele, além de um facão envolto em um pano. Questionado pela corporação, o homem disse que havia brigado com a esposa e levou os policiais até a residência do casal. No local, Edinalva foi convencida a fazer uma queixa contra o marido e pedir medida protetiva. No entanto, no dia 20, do mesmo mês, a vítima revogou a medida. “Ela disse que ele precisava de tratamento e o aceitou de volta. De lá para cá não houve mais nenhum registro, o que não significa que não teve agressão”, informou o delegado. 

Vizinhos da família relataram ao Jornal de Brasília que as brigas entre o casal eram constantes, mas que nunca haviam presenciado nenhuma agressão física. Valdirene Sousa, 45 anos, definiu o suspeito com uma pessoa tranquila. “Conheço o Misael há muito tempo e ele nunca foi uma pessoa violenta. Apesar de ser bem tranquilo, ele apresentava problemas com depressão. Mas o crime foi inesperado para mim, mesmo com as brigas entre eles, nunca imaginei que ele seria capaz de tal ato de violência”, afirmou. 

Feminicídio

Em vigor desde o ano passado, a Lei 13.104 alterou o código penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado, o feminicídio: quando crime for praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.

Por “razões da condição de sexo feminino”, a Lei explica em duas hipóteses: a) violência doméstica e familiar; b) menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Além disso, a legislação aumentou a pena para o crime de feminicídio.

Relembre

Há cinco dias, a vítima foi uma jovem de 24 anos, morta a facadas, também pelo marido de 40, no Condomínio Total Ville, em Santa Maria. Na ocasião, após o crime, que teria ocorrido diante dos dois filhos do casal, o homem tentou suicídio ao desferir golpes de faca contra o próprio pescoço, pulsos e abdômen.

Ele foi socorrido ainda com vida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para o Hospital Regional de Santa Maria. 

Leia mais: Homem mata esposa de 24 anos a facadas diante dos filhos 

Tragédia na UnB…

No dia 11 de março, um crime bárbaro chocou os brasilienses. Na ocasião, a estudante Louise Ribeiro, 20 anos, foi encontrada morta em um matagal entre o Minas Brasília e o Crespom, na L4 Norte. 

A jovem estudava biologia na Universidade de Brasília (UnB) e foi morta pelo colega de curso, Vinícius Neres Ribeiro, de 19 anos, que confessou o crime. Segundo a Polícia Militar, ele disse que “não aguentava mais ser rejeitado por ela”. Os dois teriam tido um relacionamento que durou entre abril do ano passado até janeiro.

… e em Samambaia

Um dia depois, outra jovem foi vítima de feminicídio. Jane Carla, 20 anos, morreu após ser baleada pelo namorado na QR 507, em Samambaia.  Após o crime, o rapaz de 23 anos se matou com um tiro. Na época, uma amiga da vítima disse que Jhonata Pereira era muito ciumento e não aceitava o término do namoro. 

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