Duas pessoas morrem a cada dia vítimas de homicídios no Distrito Federal. O índice aponta um crescimento de 16% em 2009 se comparado ao mesmo período do ano anterior, como revelam dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública. De acordo com especialistas, cerca de 70% deles têm relação direta ou indiretamente com o consumo ou tráfico de drogas e apenas 30% fogem a essa realidade. Eles ressaltam ainda que, em regiões marcadas por conflitos entre gangues, a média de homicídios diariamente chega a ser duas vezes maior que a do território como um todo.
“Infelizmente os números da violência em Brasília são muito altos, principalmente, se levarmos em conta o padrão e a idade da cidade, além da renda per capta da população. Sem falar no fato de que somos uma polícia extremamente preparada”, expõe o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do DF (Sindepo), Mauro Cezar Lima. Ele explica que além das drogas, o desemprego e a desestruturação familiar são combustíveis fortes da criminalidade e acredita que medidas efetivas devam ser tomadas, como o reforço na ação preventiva da Polícia e o incremento do corpo efetivo. “Temos um quadro para atender um milhão de pessoas, mas a realidade do DF é outra. O número de habitantes triplicou, o que não garante o atendimento da demanda em sua totalidade”, finaliza.
Faltam policiais
O presidente do sindicato assume que as limitações da policia local concorrem para que muitos crimes não sejam solucionados. “Há casos de pessoas públicas, com certa importância, que não são concluídos, imagine o sentimento das pessoas de uma comunidade de baixa renda?”, questiona Lima.
O caso do triplo homicídio da 113 Sul é emblemático e remonta o assassinato do ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), José Henrique Vilella, 73 anos; sua esposa, Maria Carvalho Vilella, 68 anos; e a empregada do casal, Francisca Nascimento da Silva, 58 anos. Desde então, várias hipóteses foram investigadas pela Polícia, que chegou a ouvir parentes das vítimas, entre eles a filha – atualmente a principal suspeita. As investigações começaram a ser feitas pela 1ª Delegacia de Polícia, então chefiada por Martha Vargas – exonerada na última semana até que, em novembro, foram assumidas pela Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida).
O especialista em Segurança Pública e professor da Universidade de Brasília (UnB), Antônio Flávio Testa, explica que os crimes passionais, também têm crescido no DF, e, muitas vezes, envolvem violência doméstica. “Eles têm raízes variadas, como o acesso das mulheres ao mercado de trabalho, rompendo com o universo machista; a desestruturação das famílias, principalmente as jovens; a falta de esclarecimento e efetivação da legislação. Podemos citar a Lei Maria da Penha como um exemplo” justifica. “Faltam políticas de planejamento familiar, campanhas informativas, investimento em tecnologia e inteligência, além de ações integradas contra as drogas. Só a repressão não adianta”, finaliza o especialista da UnB.