A aproximação do período de chuvas coloca o Distrito Federal em alerta para a dengue, cuja transmissão tende a aumentar entre outubro e maio. Para reduzir o risco de novos surtos, a Secretaria de Saúde (SES-DF) mantém uma estratégia permanente de combate ao Aedes aegypti, combinando visitas domiciliares, monitoramento de áreas vulneráveis e tecnologias capazes de identificar e eliminar focos do mosquito antes do crescimento dos casos.

A atuação preventiva ganha importância justamente nos meses que antecedem a fase de maior circulação da doença. Com temperaturas elevadas e chuvas frequentes, recipientes que acumulam água se transformam em ambientes favoráveis à reprodução do inseto. Quando uma epidemia já está instalada, medidas como o uso do carro fumacê tendem a apresentar menor impacto na interrupção da transmissão. “Nosso trabalho de enfrentamento à dengue ocorre ao longo de todo o ano”, afirma o diretor de Vigilância Ambiental da SES-DF, Wendel Medeiros.
Entre as ferramentas utilizadas pelo governo estão drones para localizar possíveis criadouros em áreas de difícil acesso e mais de 4,6 mil ovitrampas instaladas em 2026. As armadilhas permitem acompanhar a proliferação do mosquito por meio da coleta de ovos e ajudam a orientar as intervenções. Segundo o chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico da Vigilância Ambiental, Anderson Leocádio, a distribuição das tecnologias considera indicadores epidemiológicos e sociais. “Observamos os dados e identificamos as áreas de maior risco, que apresentam vulnerabilidade social e alta incidência de casos da doença”, explica.
Outra frente envolve a aplicação de inseticida de longa duração nas paredes internas de locais estratégicos, como escolas, rodoviárias, unidades de saúde e estações de metrô. A SES-DF também instalou quase 2,5 mil Estações Disseminadoras de Larvicida em residências de Sol Nascente/Pôr do Sol, Recanto das Emas e Água Quente. Os dispositivos atraem mosquitos, que entram em contato com o produto e o transportam para outros criadouros, contribuindo para a eliminação das larvas.
O Distrito Federal também utiliza mosquitos produzidos em laboratório com a bactéria Wolbachia, método que reduz a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, da Zika e da chikungunya. Até março de 2026, mais de 65 milhões desses insetos haviam sido liberados em dez regiões administrativas. Segundo os dados apresentados pela Secretaria de Saúde, a estratégia alcançou redução superior a 60% na transmissão de arboviroses.
Apesar dos avanços tecnológicos, a eliminação de água parada continua sendo a principal medida de prevenção. Até julho deste ano, os 900 agentes de Vigilância Ambiental em Saúde haviam realizado quase 1,2 milhão de visitas domiciliares no DF, identificando focos, orientando moradores e coletando informações. O trabalho ocorre em articulação com outras áreas da saúde e órgãos do GDF, incluindo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e o DF Legal.
A orientação para os moradores é reservar pelo menos dez minutos por semana para inspecionar quintais, calhas, vasos de plantas e recipientes que possam acumular água. Caixas-d’água e reservatórios devem permanecer vedados, enquanto baldes e vasilhames precisam ser guardados virados para baixo. “Pouco vai adiantar se cada um não tiver o olhar atento para os riscos do seu próprio ambiente”, alerta Wendel Medeiros, ao reforçar que a participação da população é indispensável para evitar a proliferação do mosquito.