GABRIELA CECCHIN
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS|)
Com uma das menores cargas tributárias do país, o Distrito Federal lidera o ranking nacional de retorno dos impostos em qualidade de vida, ou seja, em setores como saúde e educação. No outro extremo, estados como Maranhão, Pará e Bahia, que arrecadam mais, aparecem entre os piores colocados.
É o que mostra a terceira edição do Irbes (Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade), levantamento realizado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), obtido com exclusividade pela Folha. O estudo avalia o desempenho dos 26 estados e do DF com base em dados de 2022.
Criado para medir a eficiência tributária das unidades da federação, o Irbes pondera dois indicadores: carga tributária sobre o PIB (Produto Interno Bruto) estadual e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). A ideia é mensurar quanto os governos conseguem transformar arrecadação em resultados concretos para a população, como saúde e educação.
Com carga de apenas 3,68%, o Distrito Federal atingiu o maior Irbes: 182,33 pontos. Também estão no topo do ranking São Paulo (176,29), Rio de Janeiro (176,07), Santa Catarina (172,44) e Rio Grande do Sul (172,11). Todos fazem parte das regiões Sudeste, Sul ou Centro-Oeste —as mais ricas do país.
Já entre os últimos colocados estão, em sua maioria, estados do Norte e Nordeste. O Maranhão aparece na 27ª posição, com Irbes de 162,08, apesar de ter carga tributária de 9,03% —mais do que o dobro da registrada pelo DF. Pará, Alagoas, Bahia e Paraíba completam a lista dos cinco piores desempenhos.
“As regiões Norte e Nordeste têm menor capacidade de arrecadação tributária devido a economias menos diversificadas, dependentes de atividades primárias como agricultura e extrativismo, no caso da soja e da cana, que geram menos impostos diretos em comparação com o setor industrial e de serviços do Sul e Sudeste”, explica João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT e um dos autores do estudo.
A eficiência no uso dos recursos arrecadados é justamente o que o índice pretende medir. Para isso, o Irbes dá peso maior ao IDH (85%) do que à carga tributária (15%), e afirma que o resultado social é mais relevante do que o volume arrecadado em si.
A nova edição também revela movimentações no ranking em relação a anos anteriores. O Amazonas, que ocupava a última posição na segunda edição do Irbes, subiu para o 22º lugar. Já o Pará despencou dez posições, indo do 16º para o 26º lugar.
Rondônia, que estava em 26º, passou para 18º. O Rio Grande do Norte também avançou, passando do 19º para o 12º lugar. Por outro lado, o Acre, que figurava na oitava posição, caiu para a 15ª.
“As causas para um menor Irbes incluem desigualdade na arrecadação, baixo IDH e infraestrutura precária, gestão pública ineficiente, demandas demográficas específicas e um histórico de subdesenvolvimento. Esses fatores, combinados com uma estrutura tributária e política que favorece o Sul e Sudeste, perpetuam a disparidade”, afirma Olenike.
A pesquisa leva em conta exclusivamente os tributos arrecadados pelos estados —sem incluir repasses federais. Os dados foram obtidos junto ao IBGE, Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) e PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), todos com ano-base 2022. O Irbes é uma somatória ponderada entre carga tributária (com peso de 15%) e IDH (com peso de 85%). Quanto maior o índice, melhor o retorno à sociedade.
A terceira edição do estudo foi realizada pelos pesquisadores João Eloi Olenike, Gilberto Luiz do Amaral e Letícia Mary Fernandes do Amaral.
VEJA A LISTA DE ESTADOS COM MELHORES E PIORES ARRECADAÇÕES
| Posição atual | Estado | Irbes | Carga/PIB | IDH | Posição anterior |
|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Distrito Federal | 182,33 | 3,68% | 0,842 | 1º |
| 2º | São Paulo | 176,29 | 7,68% | 0,825 | 2º |
| 3º | Rio de Janeiro | 176,07 | 4,92% | 0,785 | 4º |
| 4º | Santa Catarina | 172,44 | 8,74% | 0,794 | 3º |
| 5º | Rio Grande do Sul | 172,11 | 8,43% | 0,786 | 7º |
| 6º | Paraná | 171,12 | — | — | 5º |
| 7º | Minas Gerais | 169,07 | — | — | 6º |
| 8º | Espírito Santo | 168,58 | — | — | 9º |
| 9º | Goiás | 167,95 | — | — | 14º |
| 10º | Mato Grosso | 167,56 | — | — | 13º |
| 11º | Amapá | 167,26 | — | — | 11º |
| 12º | Rio Grande do Norte | 166,74 | — | — | 19º |
| 13º | Tocantins | 166,19 | — | — | 10º |
| 14º | Mato Grosso do Sul | 166,17 | — | — | 15º |
| 15º | Acre | 166 | — | — | 8º |
| 16º | Ceará | 165,74 | — | — | 12º |
| 17º | Sergipe | 165,61 | — | — | 17º |
| 18º | Rondônia | 165,3 | — | — | 26º |
| 19º | Roraima | 164,74 | — | — | 18º |
| 20º | Piauí | 164,18 | — | — | 22º |
| 21º | Pernambuco | 164,03 | — | — | 20º |
| 22º | Amazonas | 163,58 | — | — | 27º |
| 23º | Paraíba | 163,57 | 9,87% | 0,705 | 21º |
| 24º | Bahia | 163,51 | 10% | 0,706 | 23º |
| 25º | Alagoas | 163,12 | 8,64% | 0,683 | 25º |
| 26º | Pará | 163,02 | 10,36% | 0,705 | 16º |
| 27º | Maranhão | 162,08 | 9,03% | 0,676 | 24º |