O início do ano trouxe um movimento atípico às salas de vacinação do Distrito Federal. Crianças pequenas, adultos e idosos passaram a procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em busca da vacina contra a gripe, após a decisão da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) de ampliar a imunização para toda a população a partir de seis meses de idade, mesmo fora do período tradicional da campanha.
A oferta começou na terça-feira (6) e segue até 31 de janeiro. Ao todo, 100 mil doses estão disponíveis. Para receber o imunizante, é necessário apresentar um documento oficial com foto. A caderneta de vacinação é recomendada, mas não obrigatória.
Segundo a Secretaria de Saúde, a ampliação foi motivada principalmente pelo cenário epidemiológico observado no início do ano. “A preocupação está relacionada à circulação da nova variante do vírus influenza A(H3N2) J.2.4.1, já identificada no Brasil e associada à antecipação da temporada de influenza em diferentes regiões do mundo”, informou a pasta ao Jornal de Brasília. Ainda de acordo com a secretaria, “há indícios de maior potencial de transmissibilidade, embora sem evidências de aumento da gravidade, internações ou óbitos”, destacou a SES-DF.
Mesmo com diferenças genéticas entre os vírus em circulação e as cepas presentes na vacina, a Secretaria destaca que a imunização segue sendo eficaz. “Dados preliminares indicam que as vacinas continuam oferecendo proteção relevante, especialmente contra hospitalizações”, ressaltou.
Os números no DF reforçam a decisão. Até a Semana Epidemiológica 50, foram registrados 8.084 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre moradores do DF. Desse total, 1.421 casos (18%) tiveram como causa a influenza, um aumento de 146% em relação a todo o ano anterior. Também foram notificados 61 óbitos por SRAG causada por influenza, superando os registros associados a outros vírus respiratórios.
Diante desse cenário, a pasta avalia que a ampliação da vacinação é estratégica. “O aumento expressivo de casos graves e óbitos por influenza, aliado à circulação simultânea de outros vírus respiratórios e à disponibilidade de doses com validade até 31 de janeiro de 2026, justifica a ampliação do acesso como forma de reduzir internações e mortes”, informou a secretaria.
Outro fator considerado foi a baixa cobertura vacinal em 2025, especialmente entre os grupos prioritários. De acordo com a Secretaria de Saúde, “as menores coberturas foram observadas entre gestantes, crianças menores de seis anos e idosos, todos abaixo da meta de 90%”. Entre as gestantes, a cobertura ficou em 26,4%, enquanto crianças alcançaram 53% e idosos, 57,7%.
No total, 542.313 doses foram aplicadas no DF no último ano. A maior parte foi destinada a pessoas fora dos grupos prioritários. “A ampliação também permite otimizar o uso das vacinas em estoque e evitar perdas, maximizando os benefícios da imunização para a população”, acrescentou a pasta.
A vacina disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protege contra as cepas influenza A (H1N1)pdm09, influenza A (H3N2) e influenza B (linhagem Victoria). Segundo a secretaria, “a proteção dura cerca de 12 meses, com redução gradual da resposta imunológica, especialmente em idosos e imunodeprimidos, o que reforça a necessidade da vacinação anual”.
Na UBS da Vila Planalto, a ampliação já reflete na procura. A auxiliar administrativa Edina Santos, de 32 anos, levou a filha Maria Fernanda, de 1 ano, para receber a primeira dose contra a gripe. “Não quero minha bebê gripada. Estou vendo muitas pessoas contaminadas e quero evitar prejuízos maiores. A vacina é muito importante”, afirmou.
Edina também aproveitou para incentivar outras mães. “Eu já tomei a vacina no ano passado e, até agora, não gripei. Já vejo algum resultado. Por isso, incentivo outras mães a levarem seus filhos às unidades de saúde”, disse. A Secretaria de Saúde reforça que a vacinação é fundamental neste período. “A imunização é uma das principais estratégias para reduzir casos graves, internações e óbitos por influenza”, concluiu a pasta.