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Brasília

DF é a unidade da federação mais conectada à internet

Arquivo Geral

22/02/2018 7h00

João Stangherlin

Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

O DF é a unidade da federação mais conectada à internet do Brasil. Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Conínua), do IBGE, 81% dos brasilienses tiveram acesso por banda larga fixa e móvel nos últimos três meses de 2016, 25% a mais em relação ao percentual do País e 15% maior na comparação com o segundo colocado no ranking de estados, o Rio de Janeiro.

Diferentemente de todos os estados, na capital os usuários utilizam o serviço mais para assistir programas e para lazer, de maneira geral, (85,42%) do que para mensagens de voz ou vídeo (84,4%), sem razão aparente. A reprodução de conteúdo na web supera até mesmo o bom e (agora) velho envio e recebimento de e-mails (81,1%). A modalidade de uso campeã, porém, é o envio de mensagem por meio de aplicativos como Whats’app e Messenger (94,3%).

Na avaliação da gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira, os resultados para o DF estão diretamente ligados ao alto poder aquisitivo da população de Brasília, dona da maior renda per capita (R$ 2,3 mil) do País no ano do levantamento. “A questão do acesso a internet intimamente relacionada à questão da renda, até porque um dos motivos alegados para não se ter acesso é o preço do serviço”, pondera.

Outra questão é a proliferação dos smartphones, utilizados prioritariamente por mais de 90% dos usuários como meio de se conectar à internet. O DF é o estado com maior quantidade de telefones móveis por habitante, quase três por pessoa, uma realidade iniciada em 2011 e ainda em vigor.

Conexão tribal

Em um local movimentado como a Rodoviária do Plano Piloto, não é difícil ver o mar de pessoas com a cabeça baixa, imersas em seus celulares, muitas vezes com fones de ouvido. Em uma lanchonete do segundo andar, porém, um grupo de indígenas fazia o mesmo, um deles com traje tradicional.

Oriundos de Canarana (MT), eles admitiram surpresa com a facilidade de conexão móvel em Brasília, na comparação com sua terra, e admitiram que vários índios aderiram ao uso do smartphone,o que gerou crises culturais e religiosas na comunidade.

“Algumas pessoas perdem o foco no cotidiano. Você vai conversar com ela e ela está no celular. É chato”, conta Wulkai Suia, 38 anos, auxiliar administrativo. Ele faz a ressalva, porém, da facilidade criada pelo aparelho e pela conexão, principalmente quando o assunto é trabalho.

Seu colega Awa Kaiabi, 35 anos, assessor indígena, afirma que certos anciões não aceitam o uso da internet e rejeitam as tecnologias, mas não enxerga isso como possível. “A tendência é aumentar a influência. Não tem como não aceitar”, conforma-se.

O pós-doutor em Educação e Tecnologias, Gilberto Lacerda dos Santos, lembra que mais acesso não é garantia de qualidade nem de pessoas informadas. “O fato de acessarem muito a internet não significa que sejam mais letradas, apenas mais conectadas. A pesquisa do IBGE é de natureza quantitativa apenas, não é qualitativa”, faz a ressalva o especialista.

Saiba mais

Quanto maior a escolaridade, maior a quantidade de acessos. Conforme a pesquisa, dos que têm ensino superior completo no Brasil, 95,7% utilizaram a internet nos últimos três meses de 2016. No Centro-Oeste, esse percentual foi ainda maior, 96,8%.
Dentre as pessoas com Ensino Fundamental incompleto utilizaram, apenas 43,6% utilizaram no Brasil. No Centro-Oeste, 54,3%.
As áreas que agregaram maior quantidade de pessoas com acesso foram de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e administrativas, com 92% no Brasil e 92,7% no Centro-Oeste.

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