O tamanho das famílias do Distrito Federal está diminuindo, o que será comprovado pelos dados do Censo de 2010, a ser elaborado nos meses de agosto, setembro e outubro, afirmam estudiosos em demografia amparados em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas residentes num mesmo domicílio – conceito utilizado pelo instituto –- foi de 4,2 na pesquisa de 1991. Caiu para 3,93, em 1996, 3,68 em 2000 e deve ficar em aproximadamente 3,1, conforme as projeções.
Apesar dessa queda, o índice de crescimento da população do DF, calculado em 2,8% ao ano na última década, está acima dos padrões nacionais. O Brasil, no mesmo período, teve indicadores de aumento de 1,65%. Esse contraste é compatível com a influência da imigração para o território, explica o demógrafo Reinaldo Gregori.
É esse fenômeno migratório que permite entender a lógica que tem de um lado crescimento maior do que o nacional, embora a população do DF não esteja distribuída em famílias maiores que no resto do País. “Normalmente, quanto mais alta a taxa de crescimento, maior é o tamanho médio da família”, complementa o demógrafo.
Famílias como a do gerenciador Diego Domingos dos Santos, 26 anos, confirmam parte dessa constatação. Ele e a mulher, Eline Carvalho, 26, têm somente uma filha, Maria Luiza, de apenas sete meses, e não fazem planos de ampliar tão cedo o número de descendentes.
“Penso assim mais por questões sociais e econômicas. Hoje em dia está difícil. Ou você trabalha ou cuida dos filhos”, declarou Diego Domingos. A mulher faz discurso semelhante ao do marido. “Eu tive que deixar o emprego para cuidar da Maria Luiza. Como as coisas estão acontecendo, a gente não pode descuidar das crianças”, disse Eline Carvalho, fazendo referência a casos de maus-tratos de crianças por babás divulgados pela imprensa.
Outra família mostra o exemplo contrário. O casal Gilvan da Cunha Cordeiro e Luzineide da Cunha Cordeiro, ambos de 43 anos, há três anos, deixou a cidade de Correntes, no Piauí, para vir passear em Brasília. “Mas estamos aqui até agora”, disse Luzineide.
Eles não vieram sozinhos. Na verdade, decidiram buscar novos horizontes no Distrito Federal acompanhados dos oito filhos, três deles deficientes visuais. Segundo Luzineide, em Sobradinho, onde a família reside, existem muitas pessoas que têm a mesma origem, ou seja, o Piauí. Por enquanto, a família luta pelo acesso à renda com a Banda Milagre do Forró, que improvisa apresentações nas imediações da Rodoviária do Plano Piloto em troca de gorjetas.
Os migrantes de vários estados chegam a Brasília atraídos pela imagem de prosperidade e de riqueza. Esta esperança pode estar baseada mais em sonhos do que em realidade para muitas dessas pessoas. No entanto, os dados do próximo censo vão demonstrar que o rendimento médio mensal do DF vem crescendo.
Entre os anos de 2000 e 2008, o rendimento cresceu, em média, 16% ao ano. O índice de renda per capita do DF é superior ao do Brasil. No País, o valor mensal é de R$ 1.836, e vem crescendo 12% na década. No DF, é de R$ 3.854.
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