Fábio Magalhães
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O desmoronamento de uma pedra de aproximadamente duas toneladas resultou em um acidente no Buraco das Andorinhas, localizado a 120 quilômetros de Brasília, próximo a Formosa, em Goiás. Com a grande umidade do local, causada principalmente pelas fortes chuvas na região, uma estrutura rochosa se deslocou e caiu sobre Dayane Lima dos Santos, de 26 anos, que teve as duas pernas quebradas.
Marcado por um grupo de amigos, o encontro deveria ter a participação de apenas sete pessoas. No entanto, conforme informações do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF), os convites saíram do controle dos organizadores e 31 pessoas compareceram à unidade de preservação ambiental.
Mesmo sem nenhum equipamento de segurança ou roupa adequada, o grupo percorreu uma trilha que dá acesso a um lago subterrâneo. Neste percurso, antes de entrar na água, os participantes foram surpreendidos pelo desmoronamento, que imprensou as duas pernas da jovem e ocasionou um corte profundo na orelha.
Assim que conseguiram retirar a vítima do local por alguns metros, os companheiros da expedição acionaram o Corpo de Bombeiros do DF e de Goiás. As equipes precisaram descer vários metros sob uma inclinação de aproximadamente 70 graus.
A jovem, ainda consciente, foi encaminhada de helicóptero da corporação do DF ao Hospital de Base de Brasília (HBB), onde passou por uma série de exames e não corre risco de morrer.
Condições do terreno teriam sido ignoradas
Dono da propriedade em que fica localizado o Buraco das Andorinhass, Venceslau Brás acredita que o acidente foi uma fatalidade, embora os praticantes do turismo rural tenham se esquecido de utilizar os equipamentos básicos de segurança e observar as condições do terreno antes de iniciar o percurso.
“Nenhum deles estava utilizando equipamentos de segurança. Aqui, infelizmente, não há nenhuma orientação para isso. Embora eu seja dono da propriedade, o Buraco das Andorinhas pertence à União” explica.
Conhecido pela beleza natural, o local tem forte potencial turístico e abriga duas grandes cavernas: o Buraco das Andorinhas, onde aconteceu o acidente, e o Buraco das Araras, que fica a poucos metros desta caverna.
Para adentrar a estas unidades de conservação ambiental, é preciso pagar entrada, que custa R$ 5. Na área, há espaço para camping e os paredões de pedra possibilitam a prática do rapel.
Até o fechamento desta edição, a delegacia de Formosa (GO) ainda não havia sido procurada para o registro de um boletim de ocorrência sobre o caso. Devido a isso, nenhuma investigação sobre as causas do acidente foram iniciadas. Ninguém foi responsabilizado.
Atividade requer preparação física
De acordo com o comandante da operação de resgate, major Wesley da Costa, atividades como esta, que envolvam grande esforço e preparação física, não podem ser feitas sem a correta programação. “Eles vieram para cá sem equipamentos de segurança e sequer sabiam o que realmente iriam enfrentar. A maioria, por despreparo, estava com roupas e calçados inadequados”, observa o militar.
Conforme relatam os bombeiros que socorreram a jovem, o terreno é de difícil acesso e isso dificultou o socorro. “Tivemos dificuldade para removê-la porque a mata é bastante fechada e o terreno estava muito úmido. A pedra que caiu sobre ela, de quase duas toneladas, é uma das menores. Lá, por sorte, tinha uma fenda que protegeu um pouco mais a perna da vítima. Do contrário, ela teria sido esmagada”, conta um socorrista do CBMDF. Ao todo, 27 bombeiros do DF participaram do resgate. Outros sete bombeiros de Goiás auxiliaram no socorro.
Procurados pela reportagem, os participantes da expedição limitaram-se a informar que não fizeram consumo de bebidas alcoólicas e que tomaram os cuidados necessários para evitar acidentes.