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Brasília

Desfile da Independência na Esplanada teve público menor e protestos contra Temer

Arquivo Geral

08/09/2017 6h00

Atualizada 07/09/2017 20h10

Foto: Kleber Lima/Jornal de Brasília

Jéssica Antunes
jessica.antunesjornaldebrasilia.com.br

Com cada vez menos público, o desfile 195 anos de independência do Brasil ainda representa tradição para os brasilienses. Pais que curtiram a apresentação quando crianças levam os filhos para prestigiar as celebrações. Dessa vez, foram 20 mil pessoas à Esplanada dos Ministérios, 5 mil a menos que o ano passado. Ainda assim, muitos sequer conseguiram assistir a atração. A data também foi palco de protestos.

“O desfile faz parte da nossa cultura”, acredita a advogada Verônica Moura, 31 anos. Na última vez que acompanhou a festividade, ela ainda era criança. Neste ano, levou as filhas, uma sobrinha e uma amiga das pequenas para terem a mesma experiência. Na sexta-feira, Isabela, de 8 anos, questionou sobre a data. “Apesar da situação política e econômica do País, acho que a gente é otimista e sempre pensamos na melhora. Apresentar isso às crianças é importante para o futuro”, opina Verônica.

Ela mesma não conseguiu ver nada do desfile. A filha e o marido, Werclei Oliveira, comerciante de 37 anos, subiram em uma árvore para enxergar a pista. “Vim com os pais na infância e voltei agora. Antigamente era mais organizado, achei bastante difícil para entrar. É um pouco frustrante, mas vale para assistir a festa”, lamentou. A família mora em Ceilândia.

De Samambaia, Dayane Santana e Witter de Andrade, de 26 e 30 anos, foram conhecer o evento e aproveitaram para levar a filha Mariana, de um ano e cinco meses, para o programa. “Acho que o nacionalismo e o patriotismo estão um pouco esquecidos. A gente vem mais para passear do que para celebrar”, revela o administrador.

 

Saiba mais

  • Neste ano, o tema do evento foi “Viva sua Independência”. O desfile teve participação de cerca de 4,2 mil pessoas: 3 mil militares e 1,2 mil civis.
  • Quase mil alunos da rede pública de ensino do Distrito Federal desfilaram homenageando os quatro elementos da natureza: ar, água, terra e fogo. Eram crianças e adolescentes de Ceilândia, Gama, Guará, Planaltina, Samambaia e Sobradinho.
  • Esse foi o desfile mais barato dos últimos sete anos. A festa custou cerca de R$ 790 mil, R$ 300 mil a menos que o gasto no mesmo 7 de Setembro de 2016.
  • Na época, Michel Temer fazia uma das primeiras aparições públicas após o impeachment de Dilma Rousseff e ouviu vaias e gritos de “Fora Temer”.
  • Desta vez, o esquema de posicionamento impediu as manifestações diretas.

Arquibancadas, telões e árvores

O evento teve cinco tribunas de honra para até 1,1 mil pessoas sentadas. A promessa era que o restante do público acompanhasse as comemorações das arquibancadas espalhadas pela Esplanada dos Ministérios. De acordo com o governo, a capacidade era de até 20 mil pessoas. Esta foi exatamente a estimativa de Exército Brasileiro, mas a estrutura não comportou.

As arquibancadas lotaram muito antes do início do desfile. Quem ainda conseguiu acesso à área interna subiu nas árvores para tentar visualizar. Afoita, uma parcela do público não conseguiu adentrar pelos alambrados.

O jeito foi se espremer próximo a telões do lado de fora. Frustrante para Lelayne Flausino, 32 anos, e Fernanda Fernandez, 34, que saíram de Navegantes, em Santa Catarina, para conhecer de perto o desfile e a capital do País.

A advogada e a corretora reclamaram de falta de informações, de desorganização e dos altos alambrados que impediam a vista à distância: “É uma apresentação pública, isso não existe. Procurei muito por informações antes de vir e não encontrei. Havia recomendação de chegar cedo para ficar na arquibancada, mas nada em relação à grade”, apontou Lelayne.

O planejamento da viagem foi feito com noventa dias de antecedência, tudo para que um sonho se realizasse. “Cresci no fim da época da ditadura, eu batia continência, cantava todos os hinos. Admiro o Exército, a Marinha, a Aeronáutica. Seria bom acompanhar de perto”, lamentou Fernanda.

Protestos contra Temer e as mais variadas reivindicações

Foto: Kleber Lima/Jornal de Brasília

Foto: Kleber Lima/Jornal de Brasília

Quase tão tradicionais quanto o desfile, manifestantes ocuparam a Esplanada dos Ministérios. A maior parte – 200 conforme estimativa da Polícia Militar – integrava o “Grito dos Excluídos”, que protestou contra o presidente Michel Temer e as reformas trabalhista e previdenciária propostas por ele, além de defender causas ambientalistas e do movimento LGBT.

Com dizeres como “Temer, ladrão, golpista da nação”, o grupo pediu por eleições diretas e teve apoio de parte dos populares que assistiam ao desfile. “Queremos mostrar que o povo não reconhece o governo Temer e que a verdadeira independência é incluir todos e todas”, disse Eduardo Luiz Zen, um dos coordenadores do movimento. Além do Grito dos Excluídos, manifestantes a favor da monarquia e intervencionistas estiveram no local. Houve bate-boca e provocações entre os movimentos, mas nenhum confronto.

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