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Brasília

Desativação do Lixão da Estrutural é adiada para 2018

Arquivo Geral

30/10/2017 16h27

Foto: Myke Sena

Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

O adiamento da desativação do Lixão da Estrutural para 20 de janeiro obrigou o Governo de Brasília a fazer o óbvio: oferecer estrutura mínima para os catadores deixarem o espaço rumo aos galpões de triagem e impedir que eles percam a principal fonte de renda.

Caso o cronograma tivesse sido mantido, o desligamento do Lixão começaria amanhã (31), sob protestos da categoria. O governador Rodrigo Rollemberg admitiu, em coletiva na tarde desta segunda-feira (30), na Residência Oficial de Águas Claras, que parte dos quase 1,3 mil catadores teria encontrado estruturas precárias nos galpões alugados para eles trabalharem. Muitos sequer teriam sido incorporados ao novo sistema. “Por isso o adiamento”, se limitou a responder o chefe do Executivo.

O Buriti se comprometeu a disponibilizar 180 unidades de contêineres, balanças, prensas e empilhadeiras para o primeiro grupo que for levado aos galpões. O segundo grupo receberá mais 750 contêineres, esteiras e pás até 20 de janeiro. A nova data da desativação foi mudada justamente para dar tempo de entregar os pedidos.

Em conjunto com a Casa Civil e o Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Rollemberg ainda lançou um grupo de trabalho para estudar e ajudar na transição e anunciou mudanças no plano original. A principal envolve a remuneração dos catadores, que receberiam R$ 92 por tonelada de resíduos triados, mas agora poderão receber até R$ 350, dependendo da quantidade de material aproveitado.

“Se na separação eles aproveitarem até 40% dos resíduos, receberão R$ 250 por tonelada. Se aproveitarem até 70%, receberão R$ 300. Se aproveitarem mais do que isso, receberão R$ 350”, detalhou o governador. Segundo ele, isso não representará prejuízo ao Buriti, pois, quanto maior a quantidade de resíduos reciclados, menores os custos com deslocamento do material para o aterro.

Outra medida pensada para amenizar a transição dos catadores foi a criação de uma bolsa para todos os trabalhadores que deixarão o Lixão da Estrutural. Eles serão pagos em R$ 360 enquanto estiverem nos galpões alugados para fazer a triagem do material e terão prioridade na ocupação de um dos cinco galpões já construídos para comportar a operação. Outros cinco espaços devem ser erguidos para abrigar os trabalhadores até o próximo ano.

“Não era tudo o que queríamos, mas vai ser muito bom”, disse Lúcia Fernandes, representante da cooperativa que opera atualmente no Lixão.

Saiba mais

  • O Distrito Federal é multado desde 1996 por ter falhado em desativar o Lixão, considerado ilegal desde a década de 1980. A questão tramitava na Justiça por iniciativa do Ministério Público.
  • Conforme o Governo de Brasília, o Lixão é o segundo maior do mundo, atrás apenas do de Jacarta, na Indonésia.
  • O Ministério Público recebeu representantes dos catadores, que pediram o adiamento da desativação justamente para receber os materiais. Portanto, conforme a expectativa do Buriti, não deve ser aplicada nova multa ao DF.
  • O Aterro de Samambaia está disponível para uso desde janeiro deste ano, com mais de 750 mil metros quadrados de área.

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