Ingrid Soares
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A desobstrução da orla do Lago Paranoá foi retomada há uma semana e já atingiu 68 lotes, mas as obras para que a população possa utilizar o espaço não têm qualquer previsão de sair do papel. De acordo com a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis), o início dos trabalhos aguarda licitação.
Na manhã de ontem, as máquinas estiveram no Lago Sul. No Conjunto 1 da QL 14, foram removidos 60 metros de alambrado e 30 metros de cerca viva. A quadra faz parte da segunda fase da operação na orla do espelho d’água, que envolve, ao todo, 123 lotes.
De acordo com o gerente de Operações da Agefis, Flavio Monteiro, na área foram notificados 20 proprietários e muitos deles se anteciparam à retirada das cercas.
“Está sendo muito tranquilo. Até porque as negociações foram realizadas com antecedência e muitos não querem pagar multas nem o custo operacional”, afirma.
Estruturas preservadas
O prazo para finalizar a etapa é de 60 dias. Foram utilizados tratores, uma máquina carregadeira, maçaricos, alicates e dois caminhões para retirada do material. Equipamentos de lazer já existentes, como quadras esportivas, píeres, academias e chalés estão sendo preservados.
A ação ocorreu em conjunto com o SLU, a Novacap, o Corpo de Bombeiros, o Instituto Brasília Ambiental, a Polícia Militar e a Secretaria de Gestão do Território e Habitação.
A desobstrução começou a sair do papel em 2015, após um acordo judicial que se arrastou por anos, protelado pelo governo. A decisão contrariou os moradores da área.
Faltam polícia e estrutura, diz população
Enquanto a operação é feita na orla, moradores e frequentadores reclamam da falta de policiamento das áreas desobstruídas. O administrador Alexandre Raposo, 45 anos, conta que é a favor da derrubada, desde que haja manutenção da área.
“Tem que devolver logo para a sociedade e não deixar jogado como está acontecendo. Tem gente se drogando, realizando atos obscenos. Isso sem falar dos roubos frequentes. A verdade é que não existe estrutura nem policiamento suficiente para cobrir o local”, reclama Alexandre.
Durante a ação de ontem, que ocorreu nos lotes 13 e 14 do Conjunto 1, também foi removido um canil de aproximadamente 20 metros quadrados e foi recolhida uma quantidade de entulho equivalente a dois caminhões.
Na segunda e terça-feira próximas, as equipes da Agência de Fiscalização (Agefis) devem voltar à região para retomar o trabalho.
De acordo com a agência, todos os moradores foram notificados antes do início da desobstrução. Na semana passada, foram retirados 210 metros de cercas, alambrados e arames.
Estrutural
Construções irregulares na Estrutural começaram a ser retiradas pela Agefis na manhã de ontem. A previsão é que a operação dure até hoje. O objetivo do governo é remover cerca de 200 edificações do local, conhecido como Santa Luzia, área de interesse ecológico, onde é proibido construir.
Segundo a Agefis, não foi necessário notificar os moradores por se tratar de construções irregulares. O terreno é da Terracap e administrado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. Em novembro do ano passado, 38 casas foram derrubadas no mesmo local, em ação referente a processo de regularização fundiária.
Até as 13h de ontem, foram derrubados 25 barracos de madeira e lona e soterradas quatro fossas sépticas. A Companhia Energética de Brasília desfez uma ligação clandestina de energia que abastecia várias edificações.
Saiba mais
A primeira fase do trabalho ocorreu na QL 12 do Lago Sul e na QL 2 do Lago Norte, iniciada em 24 de agosto de 2015 e concluída em 2 de outubro, e desobstruiu 130 mil metros quadrados.
Até dezembro, na QL 10 do Lago Sul, foram retirados 345 metros de cercas vivas e alambrados e 80 metros de base de alvenaria.