Por Amanda Karolyne
No terceiro dia do julgamento do caso que chocou a população e ficou conhecido como “Chacina do DF”, o depoimento de um dos cinco réus, Gideon Batista de Menezes alarmou o Tribunal do Júri de Planaltina. Ele fez graves acusações contra o sistema de investigação e sua própria defesa. Gideon alegou ter sido torturado por policiais civis e questionou o sumiço de um de seus depoimentos.
Gideon criticou a Defensoria Pública por não chamar um frentista como tretemunha. Já que segundo o réu, p depoimento dele poderia comprovar a participação de Thiago no plano inicial.
Gideon é acusado junto com outros indivíduos, de cometer diversos crimes, como homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menores. As dez vítimas da chacina incluem o patriarca Marcos Antônio Lopes de Oliveira; sua esposa Renata Juliene Belchior; os filhos do casal, Gabriela e Thiago Gabriel Belchior; a nora Elizamar da Silva e seus três filhos pequenos (Rafael, Rafaela e Gabriel); além de Cláudia da Rocha Marques e sua filha Ana Beatriz.
O cronograma de oitivas deste terceiro dia segue uma sequência estratégica. Após a fala de Gideon pela manhã, o júri deve ouvir Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Carloman dos Santos Nogueira. Na sequência, o tribunal colherá o depoimento de Fabrício Silva Canhedo, encerrando o dia com a fala de Carlos Henrique Alves Silva. Durante esta etapa decisiva, que deve se estender até o fim da semana, os réus têm a oportunidade de exercer o direito ao silêncio ou apresentar suas versões sobre a denúncia.
Réu questiona condução da defesa
Durante o depoimento dado no terceiro dia de julgamento, Gideon fez declarações fortes contra a condução das investigações, ao alegar ter sido vítima de violência policial para confessar os crimes. O réu citou nomes de agentes e descreveu ameaças de morte que teria sofrido enquanto estava sob custódia. “Disseram que iam tocar fogo em mim dentro da delegacia”, afirmou. Ele ainda relatou uma suposta irregularidade em seus depoimentos oficiais: “Eu dei dois depoimentos, mas só apareceu um”, declarou ao juiz.
Contra a Defensoria Pública, o réu deu a entender que sua defesa técnica foi negligente ao não considerar informações que ele considerava chave para desvendar a participação de Thiago – uma das dez vítimas – nos crimes. Segundo Gideon, o contato com os defensores foi superficial e ocorreu somente antes da audiência e ele não conseguiu contar sobre o frentista. “Não conversamos sobre isso. O defensor esteve na cela e só comentou como a audiência ia ser. Eu não sabia quais eram as pessoas que iriam depor”, reclamou. Para ele, a ausência de um frentista de posto de gasolina como testemunha poderia confirmar que Thiago estava vivo e circulando com ele após o início dos crimes.
Nesta tarde o réu continua a prestar depoimentos.