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Brasil

Denúncias de violência contra mulheres sobem 27% no Ligue 180 no 1º tri de 2026

A Central de Atendimento registrou 45.735 denúncias e 301.044 atendimentos, com crescimento especialmente no período do Carnaval.

Redação Jornal de Brasília

14/04/2026 19h15

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No primeiro trimestre de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou um aumento de 27% nas denúncias de violência contra mulheres e de 10,22% nos atendimentos em comparação com o mesmo período de 2025. Foram contabilizados 301.044 atendimentos e 45.735 denúncias, contra 273.127 atendimentos e 35.994 denúncias no ano anterior.

Os números mensais mostram crescimento consistente. Em janeiro de 2026, houve 90.758 atendimentos e 15.575 denúncias, um avanço de 3,83% nos atendimentos e 29,13% nas denúncias em relação a janeiro de 2025. Fevereiro registrou 90.758 atendimentos e 13.191 denúncias, com altas de 13,38% e 12,90%, respectivamente. Já em março, os atendimentos somaram 108.029 e as denúncias 16.867, representando aumentos de 12,02% e 25,93%.

Durante o Carnaval de 2026, o Ligue 180 recebeu 176 denúncias de importunação sexual, contra 74 em 2025 e 6 em 2024.

A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen dos Santos Costa, destacou que a qualificação dos fluxos de atendimento, atualização de protocolos e ampliação de canais, como WhatsApp, melhoraram a qualidade dos registros e a efetividade dos encaminhamentos. Cada denúncia é tratada com seriedade, sigilo e responsabilidade, transformando-se em ações concretas da rede de proteção.

O Ministério das Mulheres implementa ações como o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios e o Programa Mulher Viver sem Violência. Há expansão da rede de atendimento, com uma nova sede inaugurada em 2024, investimentos de R$ 84,4 milhões até janeiro de 2027. O serviço ganhou gestão própria, com aprimoramentos em registros e divulgação de dados em painel desde novembro de 2024. Canais incluem WhatsApp (61) 9610-0180 e Libras via videochamadas.

Além de denúncias, o Ligue 180 oferece orientações, informações sobre direitos e indica serviços da rede especializada. O atendimento é sigiloso, gratuito e funciona 24 horas por dia, sete dias por semana.

Em 2025, o serviço registrou 1.088.900 atendimentos, uma média de 3 mil diários, e 155.111 denúncias, com crescimento de 45% nos atendimentos e 17,4% nas denúncias em relação a 2024. Desses, 102.770 foram pela vítima, 26.033 por terceiros, 53 pelo agressor e 26.237 anônimas.

Dezessete estados e o Distrito Federal assinaram Acordo de Cooperação Técnica para agilizar encaminhamentos.

No perfil das vítimas em 2025, mulheres pretas e pardas representaram 42,24% das denúncias. A faixa etária de 40 a 44 anos liderou com 9,75%.

Os tipos de violência mais comuns foram psicológica (mais de 339 mil violações), física (mais de 104 mil), patrimonial (36.938), sexual (20.534, incluindo 8.172 de importunação) e sequestro/cárcere privado (2.621). Uma denúncia pode envolver múltiplas violações.

A violência vicária, agora tipificada, registrou 7.064 denúncias em 2025 (4,55%) e 3.552 no 1º tri de 2026 (7,77%). A lei recente altera a Lei Maria da Penha, Código Penal e Lei dos Crimes Hediondos.

A maioria dos suspeitos são ex-companheiros (15,15%) ou companheiros atuais (12,29%). A casa da vítima foi o local predominante (40,76%). Muitas violências duram mais de um ano (20,91%) e ocorrem diariamente (31,86%).

A região Sudeste liderou com 47,4% das denúncias em 2025, seguida pelo Nordeste (18,2%). São Paulo teve o maior número (34.476), seguido pelo Rio de Janeiro (22.757).

Temas mais buscados incluem a Campanha Feminicídio Zero (90.306 acessos), violência psicológica (27.571) e medidas protetivas (24.627).

Em agosto de 2024, foi inaugurada nova central com R$ 85 milhões, ampliando atendimento, capacitação e canais como WhatsApp e Libras.

O Ligue 180 é serviço público gratuito do Ministério das Mulheres, oferecendo orientação e encaminhamento de denúncias 24 horas, via telefone, WhatsApp (61) 9610-0180 e e-mail central180@mulheres.gov.br.

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