Francisco Dutra
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O descaso com a infância não escolhe classe social. E muito menos se limita ao tamanho da conta bancária. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), famílias de classe média alta do Plano Piloto “contratam” crianças com menos de 15 anos para fazer os serviços domésticos. Um ato ilegal, de acordo com a legislação brasileira.
E o alerta deve soar ainda mais alto. A Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) confirma que já recebeu pelo menos três denúncias de pequenos trabalhando em residências em pleno coração de Brasília. Os casos ainda estão sob investigação.
Renato Mendes, coordenador nacional do Programa Internacional para Eliminação do Trabalho Infantil da OIT no Brasil, considera a situação inadmissível. “São pessoas supostamente esclarecidas. Será que elas pensam que o valor que se dá para a educação do filho de um rico é diferente daquele dado para o filho de um pobre? O filho do pobre tem os mesmo direitos. É o mesmo valor. Assim como o filho do rico, ele tem direito a praticar esportes, nadar, aprender inglês, espanhol”, dispara Mendes.
A gerente de Proteção Especial de Média Complexidade, Valéria Sousa Lima, revela que as denúncias de meninas e meninos lavando louça, limpando quartos e demais serviços pesados do trabalho doméstico são recentes. “Começamos a receber as ligações nos últimos três meses”, esclarece Valéria.
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