O Distrito Federal está em estado de alerta contra a epidemia de dengue que se espalha pela Região Metropolitana do DF. De acordo com a Secretaria de Saúde, somente no Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), 90% dos atendimentos nas últimas semanas são de moradores de municípios vizinhos, sendo que praticamente todos os casos são por suspeita ou confirmação de dengue.
Com o risco da epidemia se alastrando pelo DF, uma das medidas emergenciais adotadas pelo GDF foi a instalação do Hospital de Campanha, em Brazlândia. A estrutura é cedida pelo Ministério da Saúde. A campanha em Brazlândia visa conter o avanço da dengue no Distrito Federal.
Nas primeiras duas horas de atendimento no hospital, inaugurado ontem, 60 pacientes com diagnóstico de dengue foram medicados. O atendimento funciona das 7h às 22h. A unidade pertence à Força Nacional de Saúde, que é própria para atender catástrofes, emergências e situações de risco.
“A procura por atendimento no HRBz teve acréscimo de 12% na clinica médica nos últimos tempos, média de 220 atendimentos diários na emergência. Mais da metade (60%) é classificada como verde e azul, não havendo necessidade de atendimento na emergência. A ideia é que o hospital faça triagem e encaminhe as pessoas ao hospital de campanha, desafogando a emergência”, diz Paulo Lisbão, diretor do Hospital de Brazlândia.
Estrutura
A estrutura deve ficar montada, no mínimo, 15 dias. “Se houver a necessidade de ficar por um, dois, três meses, continuaremos. Só sairemos quando a situação for de tranquilidade e funcionamento normal da emergência, que é atender 150 pacientes por dia”, explica o secretário Rafael Barbosa.
Brazlândia tem 100 mil habitantes. Entre 15 de março e 1º de maio, 1.100 pessoas foram atendidas com dengue no HRBz. Desses, 860 eram da Região Metropolitana. A maioria veio de Águas Lindas de Goiás. “Estamos atendendo mais de 500 mil habitantes por conta da dengue no Entorno”, disse o secretário. Gente como Maria de Jesus Cardoso, 35 anos, e o marido, que moram em Águas Lindas. “Fui medicada após vir duas vezes ao hospital. E meu marido, que não está bem, recebeu soro”, diz a auxiliar de serviços gerais.
Residências têm 85% dos focos
Em 2013, o DF registrou mais de 5,5 mil casos de dengue. Segundo o Ministério da Saúde, 85% dos focos do mosquito estão nas residências. Já os casos de dengue em Goiás somam mais de 114 mil, um aumento de 721% em relação ao mesmo período do ano passado.
Aos primeiros sintomas da dengue (febre, dor de cabeça, dores nas articulações e no fundo dos olhos), a recomendação é que a pessoa procure o serviço de saúde. É fundamental não tomar remédio por conta própria – pois isso pode mascarar sintomas e dificultar o diagnóstico – devendo estar alerta para sinais de agravamento, como vômitos e dores abdominais.
“Grande parte dos casos se resolve com médico de família. O Entorno não tem essa cobertura e a população procura as unidades do DF. Iremos oferecer essa oportunidade de serviço de qualidade em Brazlândia. Faço um apelo à população do Entorno, principalmente Águas Lindas: que coloque o HRBz como referência no tratamento de dengue”, disse o secretário de Saúde.
Procura
Charles Neves, 21, morador de Águas Lindas, reclama do atendimento na cidade. “Lá na cidade é horrível, além de o hospital estar lotado, faltam médicos com frequência, por isso, vim para Brasília ser atendido e ver se, enfim, eu fico bom”, conta o rapaz.
Triagem antes do atendimento
O diretor do Hospital de Brazlândia informa que, no local, há uma equipe do GDF composta por três médicos do Samu, dois enfermeiros e seis técnicos de enfermagem por turno. Os profissionais que atuam no local são da Secretaria de Saúde do DF. Para receber o atendimento, o paciente deverá passar por triagem feita em um hospital regional, que o encaminhará para a unidade especializada caso os sintomas sejam semelhantes aos da dengue.
A confirmação do diagnóstico vem até 10 minutos no Hospital de Campanha em Brazlândia. No local, os médicos confirmam o laudo e, dependendo do quadro, solicitam exames para tomar providências como a reidratação do doente e a aplicação de medicação.
“O hospital terá a estrutura de postos de atendimento para situações de emergência e conflito. Os pacientes vão fazer os testes rápidos para detecção da doença e, caso sejam diagnosticados com dengue, receberão o primeiro atendimento no local”, explicou Lisbão.
Rua doente
Somente na rua onde mora Anne Micaelle, 17 anos, oito pessoas foram contaminadas. “Moro em Águas Lindas e lá está terrível, quando vi que estava com os sintomas da doença já tive certeza do diagnóstico”, relatou a jovem.
Depois de dois dias à procura de atendimento, a doméstica Pedrina dos Santos, 51 anos, respirava aliviada por ter sido medicada no hospital de campanha. “Na segunda, desisti de tanto esperar, hoje (ontem) foi rápido com a nova unidade, mas eu estava revoltada com a falta de atendimento”, desabafou.
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