Soraya Sobreira,
com agências
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Brasília concentra 47,7% dos postos de trabalho no Distrito Federal. Em seguida, aparecem as cidades de Taguatinga (9%) e Ceilândia (6,7%). Os dados do estudo de Trabalho e Moradia no DF mostram que o GDF ainda não foi capaz de fazer com que o brasiliense trabalhe perto de casa. Apesar do grande percentual, ele já foi maior: em 2002, por exemplo, a concentração era de 52% dos empregos.
“A queda de um pouco mais de 4% é pequena e se deve à falta de política pública”, analisa Júlio Miragaya, presidente da Companhia de Planejamento (Codeplan). As pessoas que vêm de outras cidades geralmente ocupam o emprego doméstico, vigilância de órgãos e serviços gerais, entre outros. “Esperávamos uma desconcentração maior, em torno de 45%, mas não foi nenhuma surpresa, porque não vinha sendo adotada nenhuma medida nesse sentido”, completa Miragaya.
E os problemas por conta desta concentração já aparecem. Segundo o especialista em História e Planejamento Urbano da Universidade de Brasília (UnB) Aldo Paviani, este cenário vem perseguindo Brasília desde a sua criação, mas só agora o governo tem começado a pensar em saídas. “Já estamos enfrentando o caos deste modelo, como os congestionamentos e a falta de estacionamento”, defende.
O presidente da Codeplan concorda que a oferta de emprego deve ser descentralizada. “Em termos de deslocamento não é possível, em alguns casos, como nas carreiras públicas federais. Mas na esfera distrital, se pensa nesta possibilidade”, lembra Miragaya.
Para o especialista da UnB, mesmo com queda na proporção dos postos de trabalho em Brasília, o número está longe do ideal. “A quantidade de moradores das outras cidades é bem maior. Enquanto isso, eles só operam com 52,3% dos postos de trabalho, o que é pouco. Não só se deve investir nas cidades como na Região Metropolitana, pois a demanda também é elevada. Brasília, se continuar neste ritmo, ficará inviável nos próximos 20 anos”, conclui Paviani.
Algumas saídas já vêm sendo planejadas e adotadas pelo GDF. São elas a ampliação do Polo JK, em Santa Maria; a Cidade Aeroportuária, em fase de estudos em Planaltina; a implementação do Polo Logístico em Samambaia; a Cidade Administrativa em Taguatinga – que vai abrigar 15 mil servidores –; e, por fim, a Cidade Digital.
“Embora esteja localizada em Brasília, a Cidade Digital não está nos eixos sul e norte. Fica na região da Granja do Torto. Isto comprova a falta de planejamento, porque senão teria sido construída mais distante do centro”, diz Miragaya.