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Brasília

Delegado deve indiciar piloto da lancha por homício culposo

Arquivo Geral

25/05/2010 9h38

O piloto da lancha responsável pelo pior acidente náutico da história do Distrito Federal pode responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Isso é o que apontam as primeiras investigações da Polícia Civil. José da Rocha Costa Júnior, 33 anos, é suspeito de cometer quatro graves irregularidades que podem ter causado o naufrágio: ingestão de bebida alcoólica, exceder o número de passageiros na embarcação, promover  passeio noturno com baixa visibilidade e não disponibilizar coletes salva-vidas para os 11 passageiros. Ao todo, nove pessoas prestaram depoimentos na 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte) até o fim da tarde de ontem. Os relatos da tragédia impressionaram o delegado responsável pelo caso.

Cinco segundos. Esse foi o tempo que a lancha levou para afundar completamente no Lago Paranoá na madrugada do último sábado. Os depoimentos colhidos pelo delegado  Silvério Moita trouxeram peças importantes para a polícia concluir o inquérito. O delegado ouviu outras duas sobreviventes do naufrágio ontem, Natália Serra de Oliveira, 22 anos, e Tanandra Carvalho Mendes Lima, 21 anos.

A delegacia ainda espera o último depoimento, de Rita Queiroz de Lira, 26 anos. Ela é irmã das jovens Liliane Queiros, 19 anos, e Juliana Queiroz, 21, que continuam desaparecidas. Rita foi liberada ontem pelo Hospital Regional da Asa Norte e deve prestar, hoje, os últimos esclarecimentos sobre o caso na delegacia. Os depoimentos serão anexados ao inquérito policial que foi aberto para apurar as causas do naufrágio. As dúvidas sobre o acidente só serão esclarecidas após uma perícia técnica na lancha, que deverá ser concluída pela Marinha, em parceria com o Instituto de Criminalística da Polícia Civil, nos próximos dias.

“Os depoimentos dos sobreviventes não são iguais. No entanto, há certa harmonia entre as histórias relatadas pelos jovens”, afirma Silvério. Um deles, segundo o delegado, disse que o piloto da lancha consumiu bebida alcoólica enquanto dirigia. “Todos, também, disseram que viram uma grande marola antes de ocorrer o acidente. Mas ninguém soube me informar o porquê dessa onda. Provavelmente houve uma aceleração – ou desaceleração brusca – que resultou na tragédia”, explicou o delegado.

Acusações

Para o delegado Silvério, tudo indica que José da Rocha Costa Júnior poderá responder por homicídio culposo. “Está comprovado que o responsável pela lancha ingeriu mais bebida alcoólica do que o limite estabelecido. O teste do bafômetro foi realizado às 7h, quatro horas depois do acidente”, afirma. Ainda segundo o delegado, o somatório de irregularidades – como a ingestão excessiva de bebida alcoólica, superlotação na lancha, baixa visibilidade noturna e a falta de coletes salva-vidas – podem ter ocasionado o acidente. “Houve negligência e imprudência. Caso seja comprovada as irregularidades, o piloto pode responder por homicídio culposo”, ressalta. Se for condenado, ele pode pegar até três anos de prisão por cada caso de afogamento.

O piloto da lancha, José da Rocha Costa Júnior, ainda muito abatido pelo acidente, disse ontem à equipe de reportagem do Jornal de Brasília que seu advogado está cuidando da parte do inquérito. “Estou muito abatido e triste com tudo isso que aconteceu. Continuo acompanhando o trabalho da polícia e do Corpo de Bombeiros”, lamentou.

Ele garantiu que já tinha feito passeios de barco com um número semelhante ao de passageiros que estavam a bordo na madrugada do naufrágio.

 

 

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