Por Luiza Melo
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A corrida eleitoral de 2026 já redesenha o primeiro escalão do Palácio do Buriti. Visando concorrer a uma cadeira no Legislativo, secretários de Estado pediram afastamento de suas respectivas pastas. Entre eles, destacam-se o ex-secretário da Segurança Pública, Sandro Avelar; a ex-secretária da Educação, Hélvia Paranaguá e a ex-secretária da Segurança e Cidadania, Marcela Passamani. Em entrevista ao Jornal de Brasília, eles revelam como pretendem levar o legado de suas gestões para o palanque.
Os três novos cotados ao Legislativo têm aspirações parecidas. A troca é motivada pela experiência prévia nos principais temas que movem a população: Educação, Segurança Pública e Cidadania. Na visão de Hélvia Paranaguá, que pretende se lançar como deputada federal, é preciso expandir as políticas públicas para um campo mais amplo.
Professora de carreira, ela ressalta que alguns avanços para a educação no DF fogem da esfera local. “A educação do DF avançou muito nos últimos anos, mas também ficou claro para mim que muitos dos avanços que a gente precisa dependem de decisões que são tomadas fora da Secretaria, no Legislativo”, pontua.
Ela relembra o programa Na Moral – criado para formação de cidadãos mais responsáveis – que nasceu dentro da Secretaria e virou lei com o apoio da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). “É isso que me motiva: levar essa experiência para o Legislativo e ajudar a transformar boas políticas em leis que tenham continuidade, escala e impacto real na vida das pessoas”, comenta.
Para Marcela Passamani, pré-candidata à CLDF, por exemplo, o tempo dentro da máquina pública foi essencial. “À frente da Secretaria de Justiça e Cidadania, tive a oportunidade de estar próxima das pessoas, ouvir suas demandas e compreender, na prática, onde o Estado ainda precisa avançar”, explica.
De acordo com ela, as transformações necessárias vão além da execução das políticas públicas, estão também baseadas na construção de normas e estratégias que efetivamente atendam os cidadãos. “Esse compromisso com as pessoas, especialmente com as famílias do Distrito Federal, é o que orienta minha atuação pública”, destaca.
Com uma vasta experiência na área da segurança pública, Sandro Avelar, cotado para a Câmara dos Deputados, explica que o tema é uma das principais preocupações dos brasileiros atualmente.
“Eu sou delegado de polícia federal, fui diretor do sistema penitenciário federal e secretário de segurança pública do DF por duas vezes. Deixei a SSP/DF com a criminalidade mais baixa de toda a história do Distrito Federal. Por tudo isso, tenho certeza que posso representar bem a população que almeja por um DF e um Brasil mais seguros”, defende.
Continuidade da gestão
Para convencer o eleitor de que as soluções apresentadas na Secretaria podem ser escalonadas em um mandato parlamentar, a ex-secretária da Educação diz que o papel no Legislativo deve ser diferente, mas complementar.
“Transformar essas soluções em políticas permanentes. Isso significa garantir orçamento estável, regras claras para expansão da rede, mecanismos de contratação mais eficientes e programas que não dependam de um governo específico. Assim que a gente garante que os avanços não retrocedam e cheguem a toda a população”, expõe.
Com uma trajetória marcada pela defesa dos direitos das mulheres, Marcela Passamani pretende levar a pauta para a pré-campanha. “O enfrentamento ao feminicídio precisa ser tratado como uma política de Estado, com ações integradas, contínuas e efetivas. É fundamental que a informação, a proteção e a rede de apoio funcionem de forma eficiente, sensível e acolhedora”, comenta.
Já o ex-secretário da Segurança Pública diz que uma das principais bandeiras do possível mandato é a da redução da maioridade penal. “[Há] necessidade de mudança da legislação para endurecer o tratamento de criminosos reincidentes e menores de idade que cometem crimes graves. Sou indignado como a lei no Brasil é permissiva ao deixar que bandidos continuem nas ruas, obrigando a polícia a prender o mesmo sujeito cinco, 10 vezes, e deixando a população insegura”, destaca.
Novas nomeações
Até o momento, já foram comunicados oficialmente 12 afastamentos nos órgãos de Estado. Segundo publicações no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), as exonerações foram feitas “a pedido” dos próprios integrantes. As datas de saída atendem à desincompatibilização eleitoral – período para que cargos do Executivo saiam dos postos que ocupam para concorrer às eleições. O prazo, de acordo com o Calendário Eleitoral, se encerrou no dia 4 de abril.
Novos secretários foram nomeados para as secretarias de Economia, Relações Institucionais, Educação e Família. Em relação às demais pastas, há a expectativa de que a governadora Celina Leão (PP) anuncie nos próximos dias, após uma análise criteriosa dos novos escolhidos.