Muito mais do que lazer, a cultura da dança do ventre tem atraído as mulheres do Varjão. A iniciativa da professora de educação física e dançarina profissional Thaís Padma atende a 40 alunas, de crianças a idosas.
Thaís começou a praticar dança do ventre aos nove anos, com incentivo da mãe, de ascendência libanesa, que ministrava aulas de dança profissional. Ela fez cursos de aprimoramento em São Paulo com bailarinos de vários países. Em 2011, viajou para o Líbano, onde mostrou sua arte em restaurantes.
De volta a Brasília, o projeto da professora foi inscrito no Fundo de Apoio à Cultura (FAC) no ano passado. Em maio último, o plano saiu do papel. Inicialmente, eram 20 participantes – número que duplicou. Por enquanto, não há vagas.
O Centro de Convivência do Idoso, localizado na Quadra 5, cedeu espaço para abrigar os alunos. A escolha pelo Varjão se deu para proporcionar uma oportunidade diferente às moradoras. “Levamos em conta a simplicidade da cidade. Muitas mulheres não teriam a chance de praticar a dança se não fosse o projeto”, acredita Thaís.
As aulas acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras, das 18h30 às 20h.
Autoestima
A aluna Rosiana Viana ficou empolgada com a atividade e não pretende deixar a turma. “Conheci o projeto por meio de uma colega. Logo me inscrevi e, desde então, venho a todas as aulas. Minha autoestima e disposição têm melhorado a cada aula”, anima-se.
O objetivo é justamente esse, reforça a professora Thaís: “A melhora na autoestima, consciência corporal, saúde física, ânimo e coordenação são alguns pontos que são aprimorados”.
E é por conta do benefício à saúde que a aposentada Ella Fiamontine, 84 anos, não deixa de praticar a atividade. “Sou frequentadora assídua. A dança faz bem para meu corpo, pois sentia muitas dores na coluna que, hoje em dia, estão bem melhores. É importante também para interagir com as pessoas, aqui fazemos novos amigos”.
Campanha
Uma das belezas da dança árabe é o figurino, composto por tops, saias e lenços. Por isso, Thaís iniciou a campanha Enfeite um quadril, doe um lencinho, divulgada no Facebook. “Nós não tínhamos condições de comprar lenços para todas. Já chegamos a receber diversas doações, de todos os lugares de Brasília, e isso incentiva que continuem a dançar”. As doações ainda podem ser feitas no Instituto de Cultura Árabe Brasileira (Icab) – na 706 Norte.
Ao final do projeto, as alunas farão uma apresentação cultural, ainda sem data e locais definidos.