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Brasília

Crise impactou homenagens no Dia de Finados

Arquivo Geral

03/11/2017 6h30

Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília

Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

A aparência quase sempre triste dos cemitérios abriu espaço para as faixas de homenagens e algumas flores. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, mais de 600 mil pessoas se deslocaram ontem, Dia de Finados, para visitar túmulos de parentes e amigos. Já o mercado de flores, que costuma aquecer as vendas no feriado, teve pouco o que comemorar, pois o brasiliense acabou gastando menos por conta da crise econômica.

A aposentada Ivanira da Silva Lédo, de 71 anos, faz parte da estatística. Ela visita o jazigo do marido há anos e, mesmo indo outras vezes durante o ano, acredita que a data tem sua importância. “Antes vinha todo mês, mas, para mim, os outros dias não têm o mesmo valor. Sinto que falta algo no dia de Finados se eu não vir”, afirma.

Com a nora, Ivanira preparava arranjos de flores para enfeitar o túmulo. A mulher diz que mesmo após 19 anos da morte do marido, ainda sente falta. “Vim prestar uma homenagem a ele, que fez tanto por nós”, conta.

De acordo com a empresa Campo da Esperança, que administra os espaços, há cerca de 464 mil pessoas sepultadas nos seis cemitérios do Distrito Federal. Para evitar tumulto, os portões foram abertos uma hora mais cedo, às 7h, e o acesso foi permitido até as 19h.

Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília

Foto: Myke Sena/Jornal de Brasília

Saiba mais

  • Quem limpa os túmulos fica feliz com a peregrinação nos cemitérios. O jardineiro Josenia Moraes Cardoso, de 43 anos, já tem 50 clientes fixos por mês e conta que no feriado consegue lucrar mais do que nos outros meses. “Trabalho 19 anos no cemitério da Asa Sul, venho todos os dias. Como os túmulos dos meus clientes estão todos limpos, aproveito para trabalhar para outras pessoas”, diz. Os valores para uma limpeza variam entre R$ 30 e R$ 50, depende do serviço oferecido. “Faço a manutenção: cuidar, zelar, plantar, molhar. No fim do dia chego a ganhar R$ 500, porque tem muito movimento”.

Mercado abalado

A comemoração dos vendedores de flores foi tímida: eles apontam que os clientes ainda estão gastando pouco na hora de comprar, por conta do abalo da crise econômica. Por isso, os ambulantes fazem de tudo para chamar atenção de quem peregrina nos cemitérios: dos arranjos mais simples até grandes coroas de flores, os preços variam de R$ 5 a R$ 50.

A ambulante Divanice Magalhães, 42, vai todos os anos vender flores na porta do cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, e conta que está sendo difícil obter bons resultados. “A cada ano o preço das flores aumenta, mas as pessoas acham que a culpa é nossa”, critica. Ela explica que as flores que compra vêm de São Paulo e o preço da revenda precisou aumentar.

Concorrência e aumento nos preços

A vendedora de rosas Gislaine Agra, de 29 anos, foi pelo segundo ano tentar lucrar no feriado, mas teve mais prejuízos do que ganhos. Ela está acostumada a vender rosas nos bares e restaurantes pela noite. “Comprei (a mercadoria) pensando que iria lucrar, mas a concorrência está muito grande. Este ano tem mais vendedores em comparação ao ano passado”, relata. “Estou vendendo abaixo do preço só para as rosas não perderem. Vendo uma rosa por R$ 5 e três por R$ 10. Normalmente cobro R$ 10 a unidade”, completa.

A opinião é mesma da vendedora Pollyanna Rezende Gomes, 30. “Ano passado o movimento foi maior. Este ano vamos lucrar pouco, porque está tudo caro, as pessoas compram menos”, lamenta. “Na parte da tarde as pessoas vêm mais, então a gente torce para conseguir vender mais flores e arranjos”, diz, esperançosa.

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