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Brasília

Crimes virtuais afetam moradores do DF

São mais de nove mil casos registrados apenas em 2026

Davi Silveira

29/09/2026 18h16

golpes feitos pelo telefone celular

Joédson Alves/Agência Brasil

Os crimes virtuais estão em alta no Distrito Federal.Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), entre janeiro de 2025 e março de 2026 foram registrados 54.729 crimes praticados pela internet em Brasília. Estelionato, falsa identidade e ameaça são as ocorrências mais frequentes. Os dados apontam julho de 2025 como o mês com maior número de crimes virtuais registrados. Em setembro de 2023 foram registrados mais de 37 mil casos de estelionato e 5.443 de furto mediante fraude em Brasília. Os crimes são cometidos, majoritariamente, através de transferências via PIX.

Entre os outros crimes registrados também estão injúria, furto mediante fraude, possível tentativa de estelionato, crime praticado contra pessoa idosa, invasão de dispositivo informático (L.12737/12), lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), difamação, perseguição, calúnia, pornografia e crimes sexuais e injúria racial.

Fernanda Rúbia, advogada especialista em direito digital, explica que o funcionamento da maior parte desses golpes parte da identidade falsa, onde os criminosos passam por banco, empresa ou familiares. Fernanda fala ainda sobre a diferença de responsabilização dependendo de como o golpe for aplicado. Em casos de estelionato, a vítima é enganada e ela mesmo faz a transferência. Já nos furtos mediante fraude, o criminoso utiliza a fraude para subtrair o dinheiro sem o consentimento da pessoa afetada.

“A maior parte desses golpes utiliza engenharia social. O criminoso tenta ganhar a confiança da vítima ou criar uma situação de urgência para que ela forneça informações, clique em um link ou faça uma transferência. É comum se passar por banco, empresa, familiar ou órgão público e até utilizar dados verdadeiros da vítima para tornar a abordagem mais convincente.”, esclarece a advogada.

Nessa trama há quem sofre as consequências reais de falcatruas e tramóias digitais. Natasha Rosa, empresária, conta que caiu no “golpe do advogado falso” – fraude em que criminosos se passam por profissionais do direito para enganar pessoas que possuem processos judiciais em andamento.

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arquivo pessoal

Uma amiga de infância, que é advogada, entrou em contato com Natasha sugerindo que ela poderia ter valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a receber. Curiosa, Natasha forneceu seus dados para a amiga, para que ela conferisse. Depois de um tempo, a empresária recebeu uma mensagem de um número que usava a foto da amiga de infância dizendo que havia ganhado a ação do FGTS e teria cerca de 16 mil reais para receber. A vítima tinha trocado de celular há pouco tempo e não se atentou que o número era falso.

Os golpistas disseram que a advogada estava em uma audiência e fizeram uma chamada de vídeo, confirmando dados pessoais e apresentando informações sobre o suposto processo. Depois, orientaram a vítima a acessar o aplicativo para verificar o recebimento do dinheiro e enviaram um código, dizendo que era o número do processo. Ao acessar o link, sem saber, Natasha tinha autorizado, naquele momento, uma transferência de 10 mil reais em seu cartão de crédito. A desconfiança só veio quando os mesmos criminosos tentaram induzir a vítima a uma nova cobrança de 10 mil reais. O golpe gerou para Natasha uma dívida imensa que, mesmo após ir para a justiça contra o banco e conseguir os 10 mil, ainda segue afetando a sua vida financeira.

SERVIÇO

Antes de realizar qualquer transferência de grandes valores, pense se faz sentido aquela determinada situação. Não tenha medo de perguntar a pessoa/instituição que está solicitando, o porquê do pedido. Caso seja um conhecido, apure com pessoas próximas se aquilo é verdade, se algo aconteceu com o número daquele conhecido.

Segundo a PCDF, caso já tenha depositado e percebido depois, registre um Boletim de Ocorrência policial, que pode ser feito de forma presencial, em alguma delegacia, ou on-line. Guardar provas/prints de toda a situação é muito importante também. Além disso, é fundamental comunicar imediatamente ao banco sobre o ocorrido.

Denúncia anônima: A PCDF disponibiliza o canal 197 Denúncia on-line, além do telefone 197 (opção 0) e do WhatsApp (61) 98626-1197.

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